A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço!

Martinho Lutero

25/04/2013

CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA :CAMINHAM A PASSOS LARGOS PARA DOMINAÇÃO CLERICAL!





Dinelcir de Souza Lima
Pastor da Igreja batista Memorial de Bangu e diretor do Seminário Teológico Batista do Oeste Carioca

Há pelo menos uma década que as igrejas batistas filiadas à Convenção Batista Brasileira vêm sofrendo intensa pressão da parte de líderes que exercem cargos executivos em órgãos denorninacionais para se submeterem a urna dominação centralizada em um clero.


É urna situação completamente estranha aos princípios batistas seculares, principalmente o da soberania da igreja. Um princípio que nos sustentou com um evangelho bíblico, puro, sem diretrizes traçadas por filosofias humanas. Ao contrário de outras denominações, que têm comando centralizado, as igrejas batistas sempre puderam estudar livremente as Escrituras, sempre puderam cooperar com o reino de Deus sem obrigações e sempre defenderam uma teologia a partir das Escrituras e não as Escrituras a partir de filosofias teológicas.

Os prenúncios da tentativa de dominação foram surgindo em mensagens e atos sutis. Por exemplo, há alguns anos atrás, um presidente da Convenção Batista Brasileira, ao ser escolhido como Presidente da Aliança Batista Mundial, em uma entrevista à imprensa, declarou que ele era como “o papa dos batistas”. Em outra ocasião, o mesmo ex-presidente, também em uma entrevista com a imprensa, se referiu aos batistas brasileiros corno sendo “A Igreja Batista Brasileira”, no singular, como se fôssemos uma só igreja.

Mas as manifestações de desejo de poder centralizado têm crescido muito e já têm sido propaladas de muitas outras maneiras. Por exemplo, a Junta de Missões Nacionais, como se estivesse acima das igrejas, levou a Convenção Batista Brasileira a autorizar em assembléia que missionárias não pastoras batizassem e ministrassem a Ceia. Nada contra, porém quem deveria autorizar era a igreja em que a missionária estivesse atuando e não a Convenção. Em outra ocasião, convocados pelo presidente, uma de nossas Convenções Estaduais, praticou a Ceia, como se fosse uma grande igreja batista e como se o presidente fosse o seu pastor.

Agora, por último, aconteceu uma manifestação escancarada de desejo de poder centralizado: O presidente da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil recomendou às igrejas batistas que incluam em seus estatutos que somente poderão pastorear as ditas igrejas pastores que estejam inscritos na OPBB. A desculpa é que, assim, se conseguiria conter “desmandos” que estão acontecendo em nossas igrejas. Mas, que desmandos são esses? Os desmandos escandalosos que temos presenciado são exatamente em nível de liderança de instituições convencionais; os desvios doutrinários mais gritantes saem de nossos Seminários e estão escritos em nossa literatura oficial.


Ora, sabemos das manipulações políticas que acontecem nas instituições denominacionais, sabemos que a OPBB não está, de maneira nenhuma, isenta de manobras para colocação de determinados elementos na direção ou nas direções estaduais. Sabemos que logo começariam a haver rejeições de líderes formados em Seminários que não são da CBB (que convenhamos, deixaram de ser batistas há muito tempo), de líderes que não lêem na cartilha de dominadores, de líderes que se levantam contra todos os desmandos e desvios doutrinários que estão acontecendo em nosso meio.


Creio que só não deixamos de ser uma denominação batista por causa de muitos pastores heróis que continuam doutrinando as igrejas que pastoreiam, conduzindo-as através do Novo Testamento, firmando-as em Cristo Jesus, independentemente de toda essa liderança que está ruindo juntamente com as instituições convencionais que, convenhamos, são pára-eclesiásticas.


Se quisermos continuar sendo batistas autênticos, devemos primar por nossos princípios básicos, e um deles é a independência das igrejas. Por isso tudo e muito mais, não devemos incluir nenhuma cláusula restritiva à independência das igrejas nossos seus estatutos. 

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20/04/2013

O ADVENTISMO DO 7º DIA.UM BREVE RESUMO DE SUA HISTÓRIA E ENGANO!



Por Planetaevangelico.com.br 


Introdução:


Não podemos pensar na origem dos "sabatistas" sem recordar os conflitos entre o apóstolo Paulo e os judaizantes. A luta entre o legalismo e o evangelho da graça de Deus é muito antiga. Continua em tempos modernos no vigoroso programa dos adventistas do Sétimo Dia. O sabatismo não é uma seita como, muita gente pensa: "uma denominação igual às outras, com a única diferença de guardar o Sábado". É uma seita perigosa que mistura muitas verdades bíblicas com erros tremendos no que se refere as doutrinas cristãs ou interpretações de profecias.





Origem do Adventismo:


Duas das Igrejas que estaremos estudando neste trimestre podem traçar sua origem nos ensinos de Guilherme Miller, embora não tivesse fundado nenhuma delas. São as Testemunhas de Jeová e os Adventistas do Sétimo dia.


a) Síntese Histórica:


No princípio do século dezenove houve um despertamento de interesse pela Segunda vinda de Cristo entre os cristãos. Guilherme Miller, pastor batista no Estado de Nova Iorque, dedicou-se ao estudo detalhado das escrituras proféticas. Convenceu-se de que Daniel 8.14 se referia à vinda de Cristo para "purificar o santuário". Calculando que cada um dos 2.300 dias representava um ano, tomou como ponto de partida a carta de regresso de Esdras e seus compatriotas a Jerusalém e 457 a.C., e chegou à conclusão de que Cristo voltaria à terra em 1843, Isto foi em 1818.


b) O fracasso de Miller:


Por um quarto de século, Miller proclamou a mensagem para classes especiais a cristãos de diferentes Igrejas. O interesse dos crentes em relação à mensagem era crescente e o número deles ia de cinqüenta a cem mil pessoas preparando-se para o fim do mundo. Muito crentes doaram suas lavouras, e se prepararam para receber o Senhor no dia 21 de março de l843. Chegou o dia e o evento esperado não aconteceu.. Miller revisou os seus cálculos, descobriu um erro de um ano. Devia ser no dia 21 de março de l844. Ao chegar essa data, nada aconteceu. Uma vez mais um novo cálculo indicou que seria o dia 22 de outubro de mesmo ano. Porém essa previsão também falou.


c) O Arrependimento de Miller:


Guilherme Miller, dando toda a prova de sua sinceridade e honradez, confessou simplesmente que se havia equivocado em seu sistema de interpretação bíblica. É preciso certa grandeza de alma, ou graça do Senhor para reconhecer abertamente seu próprio erro. Miller a teve e não mais tratou de defender a interpretação que havia proclamado por um quarto de século. Porém nem todos os seus discípulos estavam dispostos a abandonar a sua mensagem. Dos muitos que o haviam seguido, três se uniram para formar uma nova Igreja, baseada numa nova interpretação da mensagem professada por Miller.




O desenvolvimento da seita


O dia depois "da grande desilusão", Hiram Edson um fervoroso discípulo e amigo pessoal de Miller, teve uma "revelação". Nela compreendeu que Miller não estava equivocado em relação a data, mas sim em relação ao local. Disse que Cristo havia entrado no dia anterior no santuário celestial, não no terrenal, para fazer uma obra de purificação ali. Edson partilhou com outros membros de seu grupo as "boas-novas". Outros dois grupos se uniram a essa nova revelação: um dirigido por Joseph Bates que dava ênfase a guarda do Sábado e outro dirigido por Hellen G. White, que dava ênfase aos dons do Espírito.


a) As revelações de Helen White:


As revelações de Helen White tiveram muito que com a formação das doutrinas dos adventistas, e seus escritos prolíficos contribuíram grandemente para a expansão da Igreja. Ela e seu esposo disseminaram amplamente seus ensinos proféticos e doutrinários por meio de revistas e livros. Embora a Igreja adventista afirme que a Bíblia é sua autoridade doutrinária, ainda crê que Deus inspirou Helen White em sua interpretação das Escrituras e em seus conselhos, conforme se encontram em seus livros.


b) Obras da Sra White:


Como já dissemos, os livros da Sra. White são considerados "inspirados" por Deus e no mesmo nível da Bíblia, que citam apenas para comprovar o que ensinam, buscando versículos ou passagens isoladas. O livro "o grande conflito" é considerado a obra prima da Sra. White e recomendam-no largamente. Tal livro já foi editado em mais de 30 línguas com uma vendagem superior a dois milhões de exemplares. Entre outras obras, as mais importantes são: Vida de Jesus, Patriarcas e Profetas, Veredas de Cristo, O desejado de Todas as Nações.


c) Os nomes da Seita:


Os adventistas do sétimo dia já usaram através dos tempos os seguintes títulos: Igreja Cristã Adventista (1855); Adventistas do Sétimo dia (1860); União da Vida e Advento (1864);Igreja de Deus Adventista (1866); Igrejas de Deus Jesus Cristo Adventistas (1921); Igreja Adventista Reformada; Igreja Adventista da Promessa; Igreja Adventista do sétimo dia ( Atual). Existem outros grupos como Igreja Adventista da Promessa, Igreja Adventista do pacto, etc, porém o mais importante é a Igreja Adventista do Sétimo dia, conhecida como Sabatista ou Sabatismo.




As Doutrinas do Adventismo


Os sabatistas misturam algumas verdades com seus abundantes erros, daí poder enganar aos que com sinceridade se lançam em busca da verdade. Normalmente, citam a Bíblia, porém sem o cuidado de examinar o contexto. Embora muitas de suas doutrinas sejam ortodoxas, existem outras que desviam o crente do caminho real. Convém que os membros das Igrejas evangélicas conheçam essas doutrinas e saibam como refutá-las, tendo em vista que eles também se dedicam ao proselitismo entre as Igrejas Evangélicas. Veja Mt 23.15


a) A expiação incompleta:


Os adventistas ensinam que Jesus entrou no santuário celestial no ano de 1844, e agora está cumprindo a obra de expiação. Esta doutrina a expiação incompleta e contínua é uma tergiversação das Escrituras num esforço para justificar as previsões errôneas de Miller. Não duvidamos da sinceridade dos que creram haver achado uma solução para o problema nessa "revelação" de Edson, porém ela não concorda com as Escrituras. A Bíblia ensina que Jesus penetrou no santuário celestial ao ascender ao céu e não no ano de l844. (Hb 6.19,20;8.1,2; 9.11,12, 23-26; 10.1-14).


b) Nossos pecados lançados sobre Satanás?


Os adventistas ensinam que o bode emissário (ou bode para azazel) de Levíticos 16.22,26 simboliza Satanás. Todas as nossas iniqüidades serão carregadas pelo diabo. Segundo eles durante o milênio, Satanás, levará sobre si a culpa dos pecados que fez o povo de Deus cometer, e será confinado e esta terra desolada e sem habitantes. Parece fantástico que alguém que se diz evangélico aceite doutrina tão contrária ao evangelho. Será que não se dão conta das implicações de tal ensino? Isto faria o diabo nosso co-salvador com Cristo, a expiação de nossos pecados seria realizada em parte por Cristo e em parte por Satanás. O simbolismo real desta passagem mostra Cristo levando sobre si os nossos pecados. Veja Jo 1.29; Is 53.6; Hb 10.18; J0 19.30; 2 Co 5.21; Rm 8.32.


c) O Sono da Alma:


Os adventistas ensinam que as almas dos justos dormem até a ressurreição e o juízo final. Este "sono da alma" é um estado de silêncio, inatividade e inteira inconsciência" . Baseiam esta crença principalmente em Eclesiastes 9.5, que diz: "Os mortos não sabem coisa nenhuma". O contexto demonstra que o autor deste versículo está falando sobre a relação dos mortos com a vida terrena e não sobre o estado da alma depois da morte. Leia os versículos 4 a 10 desse capítulo. Provas bíblicas da consciência da alma depois da morte acham-se nas palavras de Paulo quando diz que ao deixar o corpo estaria com o Senhor, cf. Fp 1.23,24 2 Co 5.1-8). Veja também Lc16.19-31; Lc 23.43. No monte da transfiguração, Moisés não estava "silencioso, inativo e totalmente inconsciente" enquanto falava com Cristo, cf. Mt 17.1-6. Veja ainda Ap 6.9-11. Etc.




Outras crenças errôneas


Normalmente, as crenças de uma seita ou religião baseiam-se em motivos muito fortes relacionados a experiências de seus fundadores, ou livros escritos e interpretados por eles. Nesse caso, os escritos dos fundadores tornam-se regra de fé e prática. No adventismo, como em outras seitas, temos verificado que os escritos de seus fundadores continuam sendo seus sustentáculos doutrinários, independentes da Bíblia.


a) A aniquilação de Satanás e dos maus:


 Os adventistas ensinam que Satanás seus demônios, e todos os maus serão aniquilados, completamente destruídos. A Senhora White diz que a teoria do castigo eterno é "uma das doutrinas falsas que constituem o vinho das abominações da Babilônia". Jesus Cristo usou a mesma palavra para referir-se à duração das bênçãos dos salvos e os tormentos dos perdidos em Mt 25.46: Eterno. Além disso, ele não disse aniquilação eterna, mas castigo eterno. Veja Também Mc 9.43,44. Em Ap 14.10,11, vemos que os adoradores do Anticristo serão atormentados "e o fumo de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos". Isto não parece com aniquilação. Confira ainda: Ap 19.20; 20.2,7,10,15 etc.


b) A observância obrigatória do Sábado:


Os adventistas ensinam que os cristãos devem observar o Sábado como o dia de repouso, e não o Domingo. Creem que os que guardam o Domingo aceitarão a "marca da besta". A senhora White ensina que a observância do Sábado é o selo de Deus. O selo do Anticristo será o oposto a isto, ou seja, a observância do Domingo. Vemos, pois, que o Sábado é uma parte do pacto especial feito entre Deus e Israel (Ez 20.10-13). O próprio Moisés explicou que era uma memorial de sua libertação da terra do Egito. Ao repousar de seu trabalho semanal, deviam recordar como Deus lhes havia dado o repouso da dura servidão do Egito ( Dt 5.12-15).


c) O Sábado foi abolido: 


A palavra profética previa a chegada do Novo Concerto (Jr 31.31-33) e o fim do Sábado (Os 2.11), que se cumpriu em Jesus(Cl 2.14-17). Por essa razão, o Sábado não aparece nos quatro preceitos de Atos 15.20,29. O texto de Colossenses 2.16,17 deita por terra todas as teses dos adventistas. Paulo parece que está escrevendo aos adventistas quando escreve aos Gálatas e trata de livrá-los dos enganos dos judaizantes que queriam fazê-los guardar a lei. O livro inteiro ressalta que a salvação não é pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo. Faz menção da observância de certos dias como uma parte da escravidão da lei (Gl 4.3-11)./ Cristo é o fim da lei ( Rm 6.14; 10.4).




Conclusão:

O discutir com os adventistas não dá nenhum bom resultado. Estão bastante preparados para discutir e convidam a discussão. Recorde-se que as discussões somente fazem que a pessoa resolva defender melhor a sua própria doutrina. É quase certo que o adventista citará Ap 14.12 e 1 Jo 2.4, para provar que devemos guardar o Sábado. Para isto devemos mostrar-lhes quais são os andamentos de Deus no Novo Testamento. Que ele mesmo leia 1 Jo 3.23; Jo 6.29; Rm 4.5; Gl 2.16; Jo 13.34,35; 5.10 e Rm 13.8-10; Ap 22.14. Procure fortalecer sua fé na obra perfeita de Cristo e guiá-los a um repouso perfeito nele, fazendo-os ver que agora a pessoa pode ter a certeza da salvação.

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SEITAS:A CEGUEIRA E A IMPOTÊNCIA DE MUITOS!





Texto de Heuring Felix -

A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder;1 Coríntios 2:4 -

Tenho pensado muito a respeito da ignorância religiosa que alguns se submetem, uma escravidão sem sentido algum.

Triste perceber como a bíblia é deixada de lado para que convicções caseiras e catequistas sem raízes profundas sejam bandeiras ufanistas. As afirmações superficiais se fundem em um radicalismo tão doente que a pessoa já não sabe mais separar vida com Deus de uma mera convicção.

Suas ações não correspondem aos fatos, pois a vida em Deus e o amor não mais são essênciais, mas sua vida, suas convicções, sua forma religiosa ''aprendida'' desde infância .

Além de tudo a soberba e o orgulho .São incapazes em reconhecer suas deficiências na palavra, suas deficiências teológicas e se afirmam como arautos dessas convicções nascidas na temporalidade dos pensamentos enganosos dos seres humano.

Mas triste ainda é ausência total de humildade, sabedoria e racionalidade .Onde o egoísmo estabeleceu seu trono e com seu cetro conduz a tal pessoa nos corredores infernais da conformidade e auto satisfação e realização em detrimento dos valores que acariciam sua natureza.

Rebeldia total ! Engano trajado de verdade, veneno em potes de antídotos.

Essa sabedoria não vem do alto, não tem a assinatura do céu, pois o aroma proclama o abraço iminente da morte  

Leia o que um grande puritano diz a respeito disso:

"As pessoas que não têm Cristo como Rei para reinar sobre elas jamais terão seu sangue para salvá-las. “Thomas Watson.

Onde Cristo não é o centro, onde o egoísmo é maior que a humildade, onde a prepotência e orgulho são maiores que a submissão e a reverência, nesta vida, Cristo nunca foi o centro!

Esta pessoa está perdida e precisa desconstruir toda uma história de engano impregnada em sua alma, para que nela habite a luz da verdade, que não vem de persuasão humana, mas do alto, do Espirito de poder!
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11/04/2013

COMO SE CONDUZIR NA CAMINHADA CRISTÃ!



Carta de Jonathan Edwards a uma jovem - 
Escrita no ano de 1741 - 

Minha querida jovem amiga, - 
Como era do seu desejo que eu a mandasse, por escrito, algumas diretrizes em como conduzir-se a si mesma em sua Caminhada Cristã, agora o faço. As doces lembranças das coisas maravilhosas que vi em sua igreja inspiram-me a fazer qualquer coisa que estiver a meu alcance, contribuindo para a alegria e prosperidade espirituais do povo de Deus que aí está.
1. Aconselho-te a manter o esforço e o fervor na religião, como se estivesse em seu estado natural, procurando converter-se. Aconselhamos pessoas com convicção a serem fervorosas e violentas para o Reino dos Céus; mas elas não devem ser menos vigilantes, trabalhadoras e fervorosas na seara quando já convertidas, porém, ainda mais, pois há infinitas coisas a mais a se fazer. Por ser esta uma característica que nos falta, muitas pessoas, em poucos meses de conversão, começam a perder seu doce e vivo senso das coisas espirituais, crescendo geladas e em trevas, “desviando-se da fé e a si mesmos se atormentando com muitas dores” (1 Tm 6; 10), enquanto se tivessem atentado às palavras do apóstolo em Filipenses 3; 12-14, seus caminhos seriam como “a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4; 18)

2. Não deixe de procurar a Deus, de jejuar e orar pelas mesmas coisas que exortamos a pessoas não-convertidas a orar e jejuar, tendo você já passado por este processo. Ore para que seus olhos estejam abertos, para que receba a visão correta, conhecendo-te a ti mesma, e para seus pés descansem em Deus. Que você veja a glória de Deus e Cristo, e tenha o amor de Cristo derramado em todo o teu coração. Aqueles quem tem a muitas destas coisas, ainda assim precisam orar por elas, pois ainda há tanta cegueira, dificuldade, orgulho e corrupção, que necessitam ter o trabalho de Deus sobre eles a fim de receber luz e vida, sendo trazidos da escuridão para a maravilhosa luz de Deus, recebendo como que uma nova conversão e ressurreição dos mortos. Há poucos deveres convenientes a um não-convertido que também não o são, de certa maneira, para o povo de Deus.

3. Quando ouvir a um sermão, ouça por si mesma. Mesmo que provavelmente o que está sendo pregado seja para não-convertidos ou para aqueles que, de outras maneiras, estão em diferentes circunstâncias que você. Assim, deixe com que a principal intenção de sua mente seja a ponderação: em quais aspectos isto é aplicável a mim? E em que posso melhorar para o próprio bem de minha alma?
4. Apesar de Deus ter perdoado e esquecido seus pecados, não os esqueça: lembre-se sempre deles, de como era uma escrava sem esperança na terra do Egito. Traga à memória suas ações de pecado antes de sua conversão, assim como o apóstolo Paulo está sempre mencionando sua antiga atitude de blasfêmia, em que perseguia o Espírito e maltratava o povo de Deus, humilhando seu coração, dizendo ser “o menor dos apóstolos”, indigno de “ser chamado apóstolo”, “menor dos santos” e “o maior dos pecadores”. Confesse sempre seus pecados a Deus e deixe com que este texto esteja sempre em sua mente: “para que te lembres e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz o SENHOR Deus.” (Ez 16; 63)
5. Lembre-se que você tem muito mais motivos para lembrar-se e humilhar-se dos seus pecados agora, desde que se converteu, do que antes. Tudo isso se deve a suas muitas obrigações para com a vida com Deus, olhando para os escolhidos de Cristo, amando sempre sua amabilidade, apesar de toda a sua falta de valor desde sua conversão.
6. Esteja sempre vigilante para com seu contínuo pecado e não pense que você se preocupa muito com ele. Ainda sim, não esteja desencorajada nem permita que ele anule seu coração, pois, apesar de sermos exageradamente pecadores, temos um Advogado com o Pai, a saber, Jesus Cristo, o Santo. O sangue cuja preciosidade, o mérito cuja retidão, a grandeza cujo amor e fé infinitamente sobrepujam as mais altas montanhas de nossos pecados!
7. Quando começar a orar, ou tomar parte na Ceia do Senhor, ou participar de qualquer outra atividade de adoração, venha a Cristo como Maria Madalena fez!  Venha, e coloque-se aos Seus pés, e os beije, derrame perante Ele o doce óleo perfumado de amor oriundo de um coração puro e quebrantado, como ela derramou o perfume precioso de sua jarra de alabastro! “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento.” (Lc 7; 37-38)
8. Lembre-se que orgulho é a pior víbora do coração, o grande distúrbio da paz da alma e da doce comunhão com Cristo: foi o primeiro pecado e se encontra bem baixo na fundação da obra de Satanás, sendo muito dificilmente arrancado fora, pois é o mais escondido, secreto e arruinador de todas as luxúrias, inserindo insensibilidade no meio da religião e até mesmo sob a desculpa de humildade. “O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço.” (Pr 8:13)
9. Que você faça um correto julgamento de si mesma, vendo sempre nos outros as melhores descobertas, o melhor conforto, pois têm esses dois lados: uns te fazem menor e insignificante, como uma criança. Outros, animam e consertam seu coração em uma disposição firme em negar-se a Deus, passar tempo com Ele e por Ele.
10. Se em algum momento você se encontrar em dúvidas sobre o estado de sua alma, em partes escuras e sem sentido, é necessário rever sua experiência passada. Mas não invista muito tempo e esforços neste caminho. Ao contrário, disponha-se com todo o seu ser a procurar ardentemente uma nova experiência, nova luz, novas ações de fé e amor. Uma nova descoberta da gloriosa face de Cristo fará mais sobre aterrorizadoras nuvens negras do que examinar experiências passadas durante um ano, sob as melhores nuances que podem dar.
11. Quando pouco se exercita a graça e a corrupção prevalece juntamente com o medo, não tente tirar isto de seu coração de qualquer outra maneira além de reviver o amor a Deus. Assim, o medo será efetivamente expulso, como a escuridão desaparece de um quarto quando os deliciosos raios de sol penetram-no.
12. Quando aconselhar e alertar as pessoas, o faça com vontade e afeição, com firme convicção. Lembre-se que estará falando ao seu próximo deixando que suas palavras contenham expressão de sua própria pequenez, mas também da graça soberana que te faz diferente.
13. Se você organizar encontros devocionais com jovens mulheres como você, uma vez a cada certo tempo, além de participar de outros encontros gerais, será muito proveitoso e útil.
14. Em quaisquer dificuldades, necessidades ou longos períodos de escassez, qualquer caso específico, para você ou outros, separe um dia para oração secreta e jejum. Gaste o dia, não tão somente pelas petições que faz, mas procurando seu coração olhando para sua vida, confessando seus pecados perante Deus. Não como se costuma fazer quando se ora publicamente, mas como um resumo a Deus de todos os pecados de sua vida, desde a infância, antes e depois da conversão, incluindo as circunstâncias e decaídas em relação a eles, apresentado diante d’Ele todas as particulares abominações de seu coração da maneira mais completa possível.
15. Não permita que os adversários da cruz reprovem a verdadeira religião. Quão retamente deveriam se comportar os filhos remidos e amados do Filho de Deus! Ainda, “caminhem como filhos da luz e do dia” e “adquira a doutrina de Deus seu Salvador”. E, especialmente, pondere sobre as virtudes cristãs que te fazem parecida com o Cordeiro de Deus. Seja humilde e submissa de coração, pura, celestial, amando a todos. Faça atos de amor aos outros e auto-negação pelos outros. Que haja em você uma disposição em pensar sobre os outros maior do que em você mesma.
16. Na sua vida, caminhe com Deus e siga a Cristo como uma pequena, pobre e desprotegida criança tomando a mão de Cristo. Mantenha seus olhos nas marcas das feridas em Suas mãos e lado, donde veio o sangue que te purifica do pecado, escondendo sua nudez nas vestes brancas celestiais.
17. Ore frequentemente pelos ministros da igreja de Deus, especialmente para que Ele continue seus glorioso trabalho que tem começado, até o dia da terra estar cheia de Sua glória.

ORE PARA QUE O ESPIRITO SANTO USE ESSE SERMÃO PARA TRAZER UM CONHECIMENTO SALFÍVICO DE JESUS CRISTO E PARA EDIFICAÇÃO DA IGREJA

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FÉ É DOM DE DEUS!





Por Dr. Sinclair Ferguson - 




Isso é ainda mais enfatizado no Novo Testamento pelo fato de a fé ser um fruto do ministério do Espírito e ser vista no Novo Testamento como um dom de Deus. Aqui, também, há uma evidente tensão entre a atividade do Espírito e a resposta humana. Paulo provê para nós uma importante perspectiva neste aspecto, delineando uma analogia ulterior entre crer e sofrer: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nele” (Fp 1.29). O sofrimento, como a fé, é um dom da graça na experiência cristã. Mas o dom do sofrimento não nos é dado convenientemente como um fait accompli. Quem sofre somos nós, não Deus. Não obstante, esse sofrimento é um dom procedente dele. De uma forma paralela, a fé não é um pacote posto em nossas mãos. É a atividade do homem como um todo, direcionada pelo Espírito para Cristo. Deus não crê por nós, nem em nós; nós é que cremos. Todavia, é somente pela graça de Deus que cremos. Seu dom é simultaneamente ato nosso.

O texto clássico em relação a isso é Efésios 2.8: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”. Há aqui um problema exegético bem notório: qual é o antecedente de “isto”, e, portanto, o que exatamente constitui o dom?

Para o leitor casual, “fé” se lê como o antecedente natural (é o antecedente imediato). Mas “isto” (touto) é neutro, enquanto ambos os antecedentes prévios são femininos (charis, “graça”, e pistis, “fé”); assim também “salvação” (soteria), que pode ser entendida como o antecedente não escrito: “e isto (ou seja, a salvação) não vem...”.

É um princípio há muito reconhecido que em linguagens onde o gênero gramatical de um pronome não pode concordar com o gênero do próprio antecedente, também não pode concordar com o gênero da palavra que o denota.([1]) Neste contexto específico, visto que tanto pistis como charis não são gênero neutro, tampouco podem servir de antecedentes.

Três considerações sugerem que o antecedente (ou seja, a coisa que é o dom de Deus) é a fé (pistis).

(1) Ela é o antecedente imediato e, portanto, o mais natural.
(2) Seria uma tautologia não usual (porém admissivelmente não impossível, como Rm 2.24 e 5.15 indicam) falar da graça como um dom de Deus, já que, por definição, a graça é um dom de Deus.
(3) Ela fornece uma redação coerente do pensamento padrão de Paulo, o qual pode ser parafraseado assim:

Deus nos vivificou – pela graça sois salvos (2.5).
Deus nos ressuscitou – para mostrar sua graça (2.6-7).
E é deveras pela graça que tendes sido salvos (2.8)!
Esta graça, porém, não só não nos envolve como também ignora nossa ação
(a salvação é pela fé, ou seja, envolve nossa resposta ativa).
Não obstante, esta  ativa, de nossa parte, não prejudica a graça.
Pois até mesmo a capacidade de crer não é nossa independentemente.
A fé (também) é o dom de Deus.
Portanto: a salvação que é pela graça é também pela fé.
Mas, como agora se torna claro, esta salvação,
embora recebida por nossa ação (fé),
não é desse modo “pelas obras”.
Ela envolve nossa atividade,
mas não deixa espaço para nossa vanglória (2.9).
Daí:
a salvação não é obra nossa;
ao contrário, somos feitura de Deus (2.10).

Mesmo que adotemos o ponto de vista de que “ser salvo através da fé” é que forma o antecedente (ponto de vista favorecido por Calvino e outros), haveria ainda um indício de que a fé é um dom da graça. Que a fé, em qualquer caso, é vista por Paulo como um dom, é confirmado em Efésios 6.23, quando ele ora pela “fé, da parte de Deus o Pai e do Senhor Jesus Cristo”. Haveria pouca importância orar pelo que procede do Pai e do Filho, a menos que a fé seja, em algum sentido, conferida por eles. Semelhantemente, Pedro se refere aos crentes como quem “obtiveram fé igualmente preciosa na justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1.1), o que parece ser uma referência ao conteúdo da fé (fides quae creditur), não do ato (fides qua creditur). Além do mais, no Novo Testamento, o arrependimento (do qual a fé é inseparável) é visto como um dom (At 5.31; 11.18; 2Tm 2.25); não surpreende, pois, se a fé é também vista como um dom da graça. Aqui, pois, se dá prioridade à soberania divina (ela é o sine qua non da fé) sem minimizar a realidade e a significação da atividade dos crentes.

Além do mais, o exercício ativo da fé (quem crê somos nós, não Deus) não compromete a graça da obra do Espírito na implicação da salvação. É da natureza da fé que por meio dela recebamos ativamente a Cristo e a justificação nele, sem contribuir para isso. Acima de tudo, fé é confiança em outro. É a antítese de toda autocontribuição e autoconfiança.
Paulo faz alusão a isso quando diz que a promessa da salvação é pela fé para que a mesma pudesse ser pela graça e ser garantida aos crentes (Rm 4.16). Fé envolve graça sem transformar a salvação em mérito humano.

Warfield expressa isso de um modo pitoresco, quando diz:

O poder salvífico da fé reside, portanto, não nela mesma, mas no Onipotente Salvador em quem ela repousa. Nunca, na Escritura, por causa de sua natureza formal como um ato psíquico, se concebe a fé como sendo salvífica – como se essa disposição mental ou a atitude do coração fosse em si mesma uma virtude que reivindicasse de Deus sua recompensa ... Não é a fé que salva, mas a fé em Jesus Cristo... Estritamente falando, não é nem mesmo a fé em Cristo que salva, mas é Cristo quem salva pela instrumentalidade da fé.([2])

Somos salvos por Cristo através da fé. O poder salvífico da fé não reside nela mesma, mas no objeto de sua confiança. Como G. C. Berkouwer escreve em outra conexão: “A fé não possui um único momento construtivo e criativo; ela repousa única e exclusivamente na realidade da promessa”.([3]) Há um envolvimento total do crente; ao mesmo tempo, porém, a graça não é comprometida. O caráter da salvação pela graça é que ela envolve o homem sem prejudicar a gratuidade da salvação recebida. Otto Weber o expressa bem: “A fé, segundo a compreensão bíblica, consiste não em ser o homem excluído, mas em ser o homem envolvido ao máximo”.[4]

Transcrito do livro O Espírito Santo, pp 171-175; Editora Os Puritanos
[1] Cf. Abraham Kuyper, The Work of the Holy Spirit, tr. H. De Vries (Nova Iorque: Funk & Wagnalls, 1900), p. 412; Robert E. Countess, “Thank God for the Genitive”, Bulletin of the Evangelical Theological Society 12 (1969), pp. 117-122.
[2] Warfield, op. cit., p. 504.
[3] G. C. Berkouwer, The Sacraments (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1969), p. 147.
[4] Otto Weber, Foundations of Dogmatics, tr. Guder (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1983), vol. 2, p. 147.
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A INCAPACIDADE DE VIR A CRISTO!




Por Robert Murray M'Cheyne  - 

Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia (João 6.44) 

Quão surpreendente é a depravação do homem natural! 
As Escrituras nos ensinam isso abundantemente. Todo pastor fiel levanta a sua voz como uma trombeta, para mostrar isto às pessoas. E a primeira obra do Espírito Santo, no coração, é convencer do pecado. 

Na Palavra de Deus, não existe uma descoberta mais terrível sobre a depravação do homem natural do que estas palavras do evangelho de João. Davi afirmou: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Deus falou por meio do profeta Isaías (48.8): “Eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno”. E Paulo disse: “Éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.3). Mas nesta passagem de João somos informados de que a incapacidade do homem natural e sua aversão por Cristo são tão grandes, que não podem ser vencidas por qualquer outro poder, exceto o poder de Deus. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Nunca houve um mestre como Cristo. “Jamais alguém falou como este homem” (Jo 7.46). Ele falava com muita autoridade, não como os escribas, mas com dignidade e poder celestial. Ele falava com grande sabedoria. Falava a verdade sem qualquer imperfeição. Seus ensinos eram a própria luz proveniente da Fonte de Luz. Ele falava com bastante amor, com o amor dAquele que estava prestes a dar a sua vida em favor de seus seguidores. Falava com mansidão, suportando a ofensa contra Ele mesmo vinda dos pecadores, não ultrajando quando era ultrajado. Jesus falava com santidade, porque era Deus “manifestado na carne”. Mas tudo isso não atraía os seus ouvintes. Nunca houve um dom mais precioso oferecido aos homens. “O verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá... Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.32, 35). O Salvador de que as pessoas condenadas necessitavam estava diante delas. Sua mão lhes foi estendida. Ele estava ao alcance delas. O Salvador ofereceu-lhes a Si mesmo. Oh! Que cegueira, dureza de coração, morte espiritual e impiedade desesperadora existem na pessoa não-convertida! Nada pode mudá-la, exceto a graça do Todo-Poderoso. Ó Homem destituído da graça de Deus, seus amigos o advertem, os pastores clamam em voz alta, a Bíblia toda o exorta. Cristo, com todos os seus benefícios é colocado diante de você. Todavia, a menos que o Espírito Santo seja derramado em seu coração, você permanecerá um inimigo da cruz de Cristo e destruidor de sua própria alma. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer”. 

Quão invencível é a graça de Jeová! 
Nenhuma criatura tem o poder de atrair o homem a Cristo. Exibições, evidências miraculosas, ameaças, inovações são usadas em vão. Somente Jeová pode trazer a alma a Cristo. Ele derrama seu Espírito com a Palavra e a alma sente-se alegre e poderosamente inclinada a vir a Jesus. “Apresentar-se-á voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder” (Sl 110.3). “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14.) “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina” (Pv 21.1). 

Considere um exemplo: um judeu estava assentado na coletoria, próxima à porta de Cafarnaum. Sua testa estava enrugada com as marcas da cobiça, e seus olhos invejosos exibiam a astúcia de um publicano. Provavelmente ele ouvira falar de Jesus; talvez o tivesse ouvido pregando nas praias do mar da Galiléia. Mas seu coração mundano ainda permanecia inalterado, visto que ele continuava em seu negócio ímpio, assentado na coletoria. O Salvador passou por ali e, olhando para o atarefado Levi, disse-lhe: “Segue-me!” Jesus não disse mais nada. Não usou qualquer argumento, nenhuma ameaça, nenhuma promessa. Mas o Deus de toda graça soprou no coração do publicano, e este se tornou disposto. “Ele se levantou e o seguiu” (Mt 9.9). Agradou a Deus, que opera todas as coisas de acordo com o conselho da sua vontade, dar a Mateus um vislumbre salvador da excelência de Jesus; a graça caiu do céu no coração de Mateus e o transformou. Ele sentiu o aroma da Rosa de Sarom. O que significava o mundo agora para ele? Mateus não se importava mais com os lucros, os prazeres e os louvores do mundo. Em Cristo, ele viu aquilo que é mais agradável e melhor do que todas essas coisas do mundo. Mateus se levantou e seguiu a Jesus. 

Aprendamos que uma simples palavra pode ser abençoadora à salvação de almas preciosas. Frequentemente somos tentados a pensar que tem de haver algum argumento profundo e lógico para trazer as pessoas a Cristo. Na maioria das vezes colocamos nossa confiança em palavras altissonantes. No entanto, a simples exposição de Cristo aplicada ao coração pelo Espírito Santo vivifica, ilumina e salva. “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6). Se o Espírito age nas pessoas, estas simples palavras: “Segue a Jesus”, faladas em amor, podem ser abençoadas e salvar todos os ouvintes. 

Aprendamos a tributar todo o louvor e glória de nossa salvação à graça soberana, eficaz e gratuita de Jeová. Um falecido teólogo disse: “Deus ficou tão irado por Herodes não lhe haver dado glória, que o anjo do Senhor feriu imediatamente a Herodes, que teve uma morte horrível. Ele foi comido por vermes e expirou. Ora, se é pecaminoso um homem tomar para si mesmo a glória de uma graça tal como a eloquência, quão mais pecaminoso é um homem tomar para si a glória da graça divina, a própria imagem de Deus, que é o dom mais glorioso, excelente e precioso de Deus?” Quantas vezes o apóstolo Paulo insiste, em Efésios 1, que somos salvos pela graça imerecida e gratuita? E como João atribui toda a glória da salvação à graça gratuita do Senhor Jesus — “Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados... a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 1.5, 6). Quão solenes foram as palavras de Jonathan Edwards, em sua obra Personal Narrative (Narrativa Pessoal)! “A absoluta soberania e graça gratuita de Deus, em demonstrar misericórdia àquele para quem Ele quer expressar misericórdia, e a absoluta dependência do homem quanto às operações do Espírito Santo têm sido para mim, frequentemente, doutrinas gloriosas e agradáveis. Estas doutrinas têm sido o meu grande deleite. A soberania de Deus parece-me uma enorme parte de sua glória. Tenho sentido deleite constante em aproximar-me de Deus e adorá-Lo como um Deus soberano, rogando-Lhe misericórdia soberana”. 

Ao sentir-me à graça um grande devedor 
Sou constrangido sempre, a todo instante! 
Que esta graça, com algemas, meu Senhor, 
Prenda somente a Ti meu coração hesitante. 

Robert Murray M’Cheyne (1813-1843) foi ministro de St Peter’s Church Dundee, Escócia (1836-1843). Foi um piedoso pastor evangélico e evangelista com grande amor pelas almas.
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