A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço!
Martinho Lutero
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19/09/2011
Pavor da liberdade!
Texto: Pr Heuring Felix
Gálatas 5: 1 a 15
está epístola de Paulo aos Gálatas fala somente de liberdade no que se diz respeito como liberdade de fato em cristo, anulando toda regra e leis que escravizam toda a alma e o torna bitolado, anulando a graça merecida que foi conquistada na cruz, a graça não combina de fato com regras,a liberdade é anulativa,ela não é uma perspectiva que nos condiciona a uma ordem opressa,está acima de qualquer consciência cristã,na pratica liberdade é apavorante, dar vertigem!
1-O medo a liberdade causa uma vertigem imensa no ser,a maioria dos cristãos que eu conheço quando ouve falar em liberdade em cristo tem pavor,por que estivemos a vida inteira sobre tutela das igrejas cristãs, desde sua existência, mais de 2000 mil anos com raríssimas exceções, sempre serviram como tutores e aios para o povo.É quem diz o limite,pra onde você vai,com quem você anda,pra onde você olha, é quem diz o seu limite, e nós ficamos tão condicionados a isso que a própria mensagem do evangelho que é a essência , liberdade, se transformou em medo,vertigem, incapacidade de lhe dar com a conquista ,não saber fazer o que criar com o espaço que nos foi dado e conferido,por isso liberdade é o que todo mundo diz que quer, mas na hora que recebe ninguém tem peito pra bancar por que liberdade é o que de fato ninguém quer!
2 – o que queremos de fato? Quem ninguém se meta em nossas vidas afim de nós vivermos do jeito que entendermos melhor, esse é primeiro conceito equivocado sobre liberdade, ou a segunda alternativa que é aquela que nós queremos uma lista de obrigações detalhadas e bem definidas e bem explicadas para que a gente se conduza através dela e ai então tenhamos a garantia de que estamos no caminho certo, esses são os movimentos pendulares que vemos acontecer o tempo todo quando o tema liberdade em cristo aparece. Quem carrega uma alma libertaria por natureza ,um Che Guevara , houve falar em liberdade e já associam em guerras e espadas ou segundo grupo são aqueles que dizem: ’’ meu deus eu não sei o que é isso,me deu um manual me diga ate onde eu vou ou onde não vou e assim, em querendo o manual eles não estabelecem o próprio principio da liberdade, por que se há liberdade eu não sou o seu tutor,em outros palavras a cruz de cristo nos chama para a fase adulta,Paulo nos diz aqui aos gálatas que a lei serviu de aio,aio era o escravo contratado pelo burguês para pegar o filho do burgues e levar pra escola ou para sinagoga em outras palavras: família ,igreja e propriedade, é o aio, é essa coisa que está estabelecida, é a lei,Paulo diz serviu no tempo da nossa bestialidade,quando a gente sofria de infantilidade espiritual,quando a nossa auto determinação era nenhuma, quando nosso infantilismo era absoluto,durante esse tempo o aio serviu ,só que cristo veio para nos tornar maduros, ele veio ao mundo para quebrar a escravidão,ele veio para que não precise mais de um tutor pra minha vida o dia inteiro,ele veio pra gerar consciência, o aio no Maximo foi a nossa adolescência, ADOLORE o tempo da dor,agora você é adulto,agora você adulto mudado transmudado de consciência própria!
3- Paulo diz que foi pra liberdade que cristo nos libertou, mas como é que cristo nos libertou pra liberdade e nós somos os seres mais apavorados do mundo com relação a aquilo que é o benéfico mais primário da realização de cristo a nosso favor? Como posso ser cristão se liberdade me apavora?Que espaço existe? que cristianismo é esse? Que evangelho é esse?tem que ser inventado um pra que caiba dentro da nossa doença, dentro do nosso medo da liberdade e nesses dois miolos não faltaram invenções de evangelhos que nos deixaram nessa de medições de santos,por que a maior pratica da fé cristã no evangelho foi a construção do quase evangelho, é um evangelho seletivo de um lado em relação a escolher da lei as coisas que nós achamos que podem ser as nossas leis de estimação, então essas a gente preserva,do outro lado o que acontece que a gente celebra uma graça que é uma quase graça,mas não é graça, por que não sendo totalmente graça é uma desgraça confeitada apenas isso,isto chamamos de liberdade mais isso não liberta,isso geram apenas seres sobre tutela por resto da existência!
4-Está epistola de Paulo é um grito,aqui você nota nitidamente o desespero de Paulo,as expressões que usa aqui chegam ate ser rudes de raiva, gálatas 5:12 ele chega ate perder a linha e diz: ‘’oxalá que vocês se mutilassem’’,na realidade o contexto histórico explica essa irritação de Paulo, os cristão judaizantes que queriam sufocar a liberdade fazendo uma mistura de judaísmos com a graça de cristo, um Frankestein religioso,um hibrido,a lei de Moises e a graça de Jesus.Paulo afirma que a graça não é negociável pra ele os termos eram inegociáveis,a liberdade em cristo não precisa de tutores e aios; liberdade com responsabilidade e sem libertinagem;não viver na liberdade em cristo é decair da graça,é um resumo do que a gente ouve por ai,decair da fé no meio evangélico, tem haver com: o que você comeu? O que você bebeu? É gastronomia e dieta.Mas no verso 4 Paulo diz: cair da Fe significa: você justamente negociar sua fé em cristo por causa de leis,ordenanças,mandamentos de homens,de rudimentos do mundo,das mentes neuróticas e adoecidas, de gente que constrói mandamentos que não só os adoecem a eles mesmo, mas que eles sofrem dessa vontade incontrolável de transformar sua loucura em uma experiência coletiva,adoecer todo mundo!
5-Cristo é a idéia central, se há lei não há cristo,a reforma protestante não teve a profundidade que deveria ter,por que ela discutiu apenas doutrinas, as 95 teses com as quais a gente não concorda, se eu fosse escrever aquilo ali eu só escreveria uma tese ,a tese é o seguinte, se tiver lei não tem cristo ,portanto é uma tese só, é um prego só na porta desta igreja, ou é cristo ou é nada, o resto é doutrinarismo,mas que, iludem camuflam tapeiam a questão central,liberdade em cristo!
6- Na liberdade em Cristo, fomos feito para voar, somos feitos para a liberdade, estamos com a síndrome de vertigem, o que então nos faz deixar a liberdade conquistada na cruz desfazendo a sua eficácia e fazendo-nos decair da graça?do nosso ponto de vista é quem não está na lei, Do pondo de vista de Paulo é quem não está crendo na liberdade conquistada por Jesus na cruz.Primeiro a obediência a lei como caminho de auto salvação, essa é a primeira coisa que relativiza a nossa liberdade em cristo, ou você é da cruz,da graça e da liberdade ou você é da lei, o hibrido sofre dobrado,ficar no meio ,ai é simplesmente, enlouquecer ainda muito mais o seu ser por que você não é uma coisa e nem outra, a obediência a lei te joga no caminho da vertigem, há duas maneiras de experimentar a liberdade, uma é como vertigem, medo da liberdade,lei para nos guiar como um cachorro guia um cego,a outra é um salto no escuro, é a liberdade conquistada em cristo!
Conclusão: liberdade é fugir da lei,é voar sem vertigem em cristo,eu estou coberto com o sangue de Jesus,não nos torneis mais escravos de homens,escravo das leis,de normas,de regras,de convenções humanas,experimentemos então voar na liberdade da responsabilidade da cruz, libertação de todo medo,liberdade em cristo é a certeza de que a divida está paga,a apropriação da salvação da graça nos livra da falsa liberdade,gera em nós a certeza de que qualquer relativização da cruz anula a cruz de cristo, não se amedronta das pregações dos quase evangelhos, ou seja quem foi tocado pela graça, compreendeu a graça,discerniu a graça,serviu o filho da graça e pode ouvir todas as ameaças do mundo,eu estou coberto pelo sangue de Jesus!
24/08/2011
O paradigma do Ministério Pastoral
Por Josenaldo Silva
O ministério pastoral pressupõe chamamento, vocação, preparo – é preciso que o obreiro seja provado e aprovado para Cristo e por meio dele.
Um pastor de uma importante denominação evangélica fora “demitido” de sua igreja, sob a alegação de que não conseguira atingir a meta financeira anual. Ele pensava em ingressar na Justiça do Trabalho exigindo seus direitos, porque julgava-se prejudicado pela denominação. Casos assim repetem-se em todos os cantos. Que caminhos conduziram parte da comunidade evangélica a uma vivência ministerial mercantilista da fé cristã? Existe um suporte ideológico que possa legitimar essas práticas? A resposta não é fácil, mas podemos conjecturar alguns pressuspostos.
O pragmatismo surgiu nos Estados Unidos através de seu maior divulgador e um de seus maiores mentores, Wiliam James. A princípio, o movimento influenciou o comercio e a indústria; passou depois às instituições de ensino, e por fim atingiu a teologia. Sociologicamente, ele aparece em meio a transformações culturais e industriais. Em princípio do século 19 e no início 20, a sociedade americana encontrava-se num crescente êxodo rural. O processo de urganização transformou uma economia agrária em industrial. O pragmatismo caiu como uma luva neste novo ambiente, que exigia uma nova forma de ver e fazer as coisas. O resultado é que passou a ditar a nova ótica de uma sociedade ávida por realização.
Até então, a vida, a natureza e a práxis teológica estavam centradas nos fundamentos ortodoxos doutrinários. A preocupação básica era com a filosofia teológica: seus fundamentos, sua hermêneutica, seus dilemas, seus paradoxos, sua base – se era bíblica ou não – etc. No Brasil, as instituições teológicas receberam a influência de missionários e pensadores europeus e americanos. Eles trouxeram a sua bagagem cultural e pregaram-na como um “absoluto teológico”, sem o discernimento e a devida compreensão do que estava a ser ministrado às igrejas e instituições teológicas, que, por sua vez, adotaram-na como uma verdade inquestionável. Afinal, questionar não faz parte da maioria do vocabulário evangélico brasileiro; o pensamento crítico soa como um subversão, rebeldia ou coisa do gênero.
Sou de certa forma nostálgico com a vivência pastoral dos pioneiros evangélicos que desbravaram esse imenso país: eram homens de caráter sério, de vida de oração constante, de piedade exemplar, de modéstia e simplicidade evidentes. Quando lemos as histórias dos pioneiros das várias denominações, é impossível não nos sentirmos desafiados a uma vida mais santa. Contudo, a tônica da liderança atual está centrada no que se pode denominar de teologia de mercado, ou seja, seus resultados. Não importam os meios; o que é fundamental é o número de pessoas que enchem os templos. Nesse frenesi por resultados, pouco importa a moral dos fiéis; é por essa razão que ser evangélico já não causa mais impacto na sociedade: pastores divorciam-se e continuam no ministério, escândalos financeiros já não escandalizam ninguém, evangélicas já posam em revistas masculinas.
Igrejas há que não questionam seus candidatos a cargos eletivos acerca de sua prática devocional, integridade pessoal e familiar, idoneidade como cidadão e outros aspectos que eram valorizados noutros tempos. O talento suplantou a obediência e a santidade; já não se avalia um clérigo pelo que ele é, e sim pelo que realiza. O fruto disso está aí: líderes bem sucedidos numericamente, porém derrotados em sua vivência pessoal, cheios de síndromes megalomaníacas.
A América Latina é pródiga em suscitar líderes com caráter feudal. E esta cultura se reflete em muitas denominações evangélicas. O autoritarismo é reproduzido nos sistemas eclesiásticos, surgindo figuras os “ungidos”, os “apóstolos” ou os homens “da visão de Deus”. Some-se a isso a pobreza teológica de muitos segmentos e teremos lideranças pífias, pastores que não sabem fazer uma exegese do texto sagrado, são incapazes de ministrar mensagens expositivas – geralmente, pregam-se mensagens tópicas, que são mais fáceis de elaborar e não exigem trabalho metódico de estudo, pesquisa, análise e reflexão.
Um povo evangélico sem cultura teológica é um povo facilmente influenciado, manipulado e dominado. E quais são as evidências de um líder evangélico feudal? Há alguns indícios exteriores que ajudam a perceber o comportamento da maioria deles. Liderança absoluta, por exemplo – este tipo de dirigente não abre mão de possuir todo o controle. Ele também age como detentor do poder absoluto, não permitindo questionamento. Além disso, o líder feudal vê nos membros da igreja pessoas que devem servi-lo, e não o contrário; por fim, há um sinal muito evidente que demonstra o clímax desse feudalismo religioso: a liderança da igreja é exercida num sistema de sucessão familiar, com perpetuação de uma dinastia personificada na família do líder. É interessante observar que até mesmo denominações históricas têm se vergado a esse tipo de liderança, geralmente exercido por pessoas muito carismáticas.
Por outro lado, hoje em dia, o pastor já não é avaliado pela natureza do seu chamado, pelo que ele é como cristão e servo de Deus. Pouco importa para algumas igrejas o que as Escrituras têm a dizer sobre o ministério pastoral. Importa o que ele pode produzir em termos de crescimento numérico. Mas em nenhum lugar da Palavra de Deus encontramos textos associando o crescimento da igreja em termos de números ao caráter do obreiro. Paulo disse que o crescimento da obra vem do Senhor. Afinal, o novo nascimento é uma experiência transcendente, puramente espiritual, que não pode ser mensurada por avaliação humana; somente o Pai Celeste sabe os que são seus e que o servem de coração.
A centralidade da mensagem cristã precisa voltar-se para Cristo. Em alguns círculos evangélicos, a mensagem é antropocêntrica, voltada para os desejos da natureza humana; em outras comunidades, destacam-se os paradigmas de natureza filosófica. Isaltino Coelho diz que há pastores que conhecem mais a respeito de Nietzsche e Platão do que a respeito de Jesus Cristo. A mensagem que pregamos é esta: “Jesus Cristo crucificado”, conforme disse Paulo. O ministério pastoral pressupõe chamamento, vocação, preparo – é preciso que o obreiro seja provado e aprovado para Cristo e por meio dele.
Um ministro tem uma ferramenta de trabalho, a Bíblia; o que o bisturi é para o médico, são as Escrituras para o pastor. E ele deve fazer conforme a recomendação do apóstolo: “Pregar a Palavra”, e somente a Palavra.
Fonte:[ Revista Eclésia ]
Via: [ Libertos do Opressor! ] / [ Ministério Batista Beréia ]
Resto do Post
18/09/2009
A SÍNDROME DO REI...
Por Caio Fabio
O rei tem direito a tudo [...] ou a quase tudo...
Na Bíblia, quando Israel pede um rei, a advertência de Deus pelo Profeta Samuel, era que o povo não sabia o que desejava ao pretender ter um rei humano...; pois, ao rei se daria tudo..., do melhor do campo às melhores mulheres..., do imposto ao serviço demandado..., e, sobretudo, se daria a alma a fim de cumprir caprichos e desejos do rei na forma de grandes obras e construções...; sem falar que a descendência do rei teria garantida a seqüência do poder real, de modo que um imbecil, criado e mimado como idiota, se torna o rei por vir...
Só que o ser ou se sentir rei é uma droga viciante...
Ora, tal fenômeno atinge a todos os que têm impérios ou reinados, não importando o tamanho, o âmbito e a natureza do sentir soberano da pessoa...
Na realidade, essa Síndrome de Rei, além de dar com freqüência em coração de políticos, empresários, gurus, bispos, autoridades religiosas, apóstolos carismáticos, mafiosos, bandidos muito fortes, médicos geniais ou arrogantes, advogados sempre vencedores, juizes arbitrários, e em toda e qualquer pessoa vaidosa e com muito poder — também ocorre em gente pobre e sem poder no mundo, mas que justamente por esta razão, assumem o poder como machismo... [no caso majoritário, de homens...]; que é a frustração do homem que nunca será Rei de muitos...; embora, no âmbito de sua casa, casamento e família, ele, esse homem sem poder para fora..., seja um déspota perverso..., seja um marido brutal..., seja um pai cheio de caprichos e regras..., seja um filho mandão..., seja um irmão superior..., seja um primogênito cheio de direitos de nada..., seja um medíocre aos seus próprios olhos..., mas, justamente por isto, amargurado até à morte..., enquanto massacra os pobres familiares ou subservientes em geral...; sim, em razão de sua raiva em relação à existência..., que não fez dele o rei que ele desejaria ser..., ainda que não saiba exatamente disso.
Amargura..., de um lado, no lado pobre e fraco; e adulação..., do outro lado, do lado rico e poderoso — são os dois maiores propulsores da Síndrome de Rei.
Ora, se você adiciona a isto ainda a Síndrome de Lúcifer, que é aquela que ataca o coração “ungido, carismático, messiânico”, o resultado é o nascimento de um Bispo, ou de um Apóstolo, ou de um Papa... — que são os Reis Ungidos... Sim, esses fazem a pior versão da Síndrome de Rei.
A Síndrome de Rei também ataca os muito inteligentes e ocupados, que sabem do seu valor, do valor do seu tempo, e, por isto, tornam-se extremamente exigentes em relação a tudo que diga respeito à sua eficiência...
Sim, tudo tem que existir para maximizar o potencial do Rei da Competência...
O fato é que desde que se desejou “ser como Deus” que não apenas a Síndrome de Lúcifer nos atacou..., de um modo ou de outro, mas, também, a sua versão mais terrena e imediata, que é a Síndrome de Rei.
Assim, simplificando, eu digo a você e a mim mesmo, que todos os dias temos que lutar ou estar apercebidos em relação à Síndrome de Lúcifer, ou, no mínimo, estar atentos à Síndrome do Rei, que é a obsessão de importância que ataca a todos os amargurados, a todos os adulados e a todos os muito capazes e importantes aos seus próprios olhos.
Quem não encontrar sinais de nada disso em si mesmo nunca, seja pela vida da pobreza amargurada e que se torna abusiva, seja pela via da adulação que cria um idiota, seja pela via da competência que cria um arrogante — então esse é varão livre e liberto, para além de toda tentação e egoísmo, e, portanto, não deve levar a sério nada do que escrevi, pois, não é para tal pessoa...; embora, sinceramente, eu diga a você: tudo aqui é para mim...
A única cura para esse mal é aquela que decorre da renovação diária da consciência, na busca de termos em nós mesmos o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação ser igual a Deus, antes a Si mesmo se humilhou, se tornou uma figura humana, e aceitou ser obediente até a morte, e morte de Cruz, pelo que Deus o exaltou, e lhe deu o nome que está sobre todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, tanto no céu quanto na terra, e toda língua confesse que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai.
02/03/2009
Esquizofrenia

Por Dr. Rodrigo Marot
O que é?
Apesar da exata origem não estar concluída, as evidências indicam mais e mais fortemente que a esquizofrenia é um severo transtorno do funcionamento cerebral. A Dra Nancy Andreasen disse: "As atuais evidências relativas às causas da esquizofrenia são um mosaico: a única coisa clara é a constituição multifatorial da esquizofrenia. Isso inclui mudanças na química cerebral, fatores genéticos e mesmo alterações estruturais. A origem viral e traumas encefálicos não estão descartados. A esquizofrenia é provavelmente um grupo de doenças relacionadas, algumas causadas por um fator, outras, por outros fatores".
A questão sobre a existência de várias esquizofrenias e não apenas uma única doença não é um assunto novo. Primeiro, pela diversidade de manifestações como os sub-tipos paranóide, hebefrênico e catatônico além das formas atípicas, que são conhecidas há décadas. Segundo, por analogia com outras áreas médicas como o câncer. O câncer para o leigo é uma doença que pode atingir diferentes órgãos. Na verdade trata-se de várias doenças com manifestação semelhante. Para cada tipo de câncer há uma causa distinta, um tratamento específico em chances de cura distintas. São, portanto, várias doenças. Na esquizofrenia talvez seja o mesmo e o simples fato de tratá-la como uma doença só que atrapalha sua compreensão. Poucos sabemos sobre essa doença. O máximo que conseguimos foi obter controle dos sintomas com os antipsicóticos. Nem sua classificação, que é um dos aspectos fundamentais da pesquisa, foi devidamente concluída.
Como Começa?
A esquizofrenia pode desenvolver-se gradualmente, tão lentamente que nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo vai errado: só quando comportamentos abertamente desviantes se manifestam. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses.
Por outro lado há pacientes que desenvolvem esquizofrenia rapidamente, em questão de poucas semanas ou mesmo de dias. A pessoa muda seu comportamento e entra no mundo esquizofrênico, o que geralmente alarma e assusta muito os parentes.
Não há uma regra fixa quanto ao modo de início: tanto pode começar repentinamente e eclodir numa crise exuberante, como começar lentamente sem apresentar mudanças extraordinárias, e somente depois de anos surgir uma crise característica.
Geralmente a esquizofrenia começa durante a adolescência ou quando adulto jovem. Os sintomas aparecem gradualmente ao longo de meses e a família e os amigos que mantêm contato freqüente podem não notar nada. É mais comum que uma pessoa com contato espaçado por meses perceba melhor a esquizofrenia desenvolvendo-se. Geralmente os primeiros sintomas são a dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos; estados de tensão de origem desconhecida mesmo pela própria pessoa e insônia e desinteresse pelas atividades sociais com conseqüente isolamento. A partir de certo momento, mesmo antes da esquizofrenia ter deflagrado, as pessoas próximas se dão conta de que algo errado está acontecendo. Nos dias de hoje os pais pensarão que se trata de drogas, os amigos podem achar que são dúvidas quanto à sexualidade, outros julgarão ser dúvidas existenciais próprias da idade. Psicoterapia contra a vontade do próprio será indicada e muitas vezes realizada sem nenhum melhora para o paciente. A permanência da dificuldade de concentração levará à interrupção dos estudos e perda do trabalho. Aqueles que não sabem o que está acontecendo, começam a cobrar e até hostilizar o paciente que por sua vez não entende o que está se passando, sofrendo pela doença incipiente e pelas injustiças impostas pela família.
É comum nessas fases o desleixo com a aparência ou mudanças no visual em relação ao modo de ser, como a realização de tatuagens, piercing, cortes de cabelo, indumentárias estranhas e descuido com a higiene pessoal. Desde o surgimento dos hippies e dos punks essas formas estranhas de se apresentar, deixaram de ser tão estranhas, passando mesmo a se confundirem com elas. O que contribui ainda mais para o falso julgamento de que o filho é apenas um "rebelde" ou um "desviante social".
Muitas vezes não há uma fronteira clara entre a fase inicial com comportamento anormal e a esquizofrenia propriamente dita. A família pode considerar o comportamento como tendo passado dos limites, mas os mecanismos de defesa dos pais os impede muitas vezes de verem que o que está acontecendo; não é culpa ou escolha do filho, é uma doença mental, fato muito mais grave.
A fase inicial pode durar meses enquanto a família espera por uma recuperação do comportamento. Enquanto o tempo passa os sintomas se aprofundam, o paciente apresenta uma conversa estranha, irreal, passa a ter experiências diferentes e não usuais o que leva as pessoas próximas a julgarem ainda mais que o paciente está fazendo uso de drogas ilícitas. É possível que o paciente já esteja tendo sintomas psicóticos durante algum tempo antes de ser levado a um médico.
Quando um fato grave acontece não há mais meios de se negar que algo muito errado está acontecendo, seja por uma atitude fisicamente agressiva, seja por tentativa de suicídio, seja por manifestar seus sintomas claramente ao afirmar que é Jesus Cristo ou que está recebendo mensagens do além e falando com os mortos. Nesse ponto a psicose está clara, o diagnóstico de psicose é inevitável. Nessa fase os pais deixam de sentir raiva do filho e passam a se culpar, achando que se tivessem agido antes nada disso estaria acontecendo, o que não é verdade. Infelizmente o tratamento precoce não previne a esquizofrenia, que é uma doença inexorável. As medicações controlam parcialmente os sintomas: não normalizam o paciente. Quando isso acontece é por remissão espontânea da doença e por nenhum outro motivo.
Como reconhecer a esquizofrenia ainda no começo?

O reconhecimento precoce da esquizofrenia é uma tarefa difícil porque nenhuma das alterações é exclusiva da esquizofrenia incipiente; essas alterações são comuns a outras enfermidades, e também a comportamentos socialmente desviantes mas psicologicamente normais . Diagnosticar precocemente uma insuficiência cardíaca pode salvar uma vida, já no caso da esquizofrenia a única vantagem do diagnóstico precoce é poder começar logo um tratamento, o que por si não implica em recuperação. O diagnóstico precoce é melhor do que o diagnóstico tardio, pois tardiamente muito sofrimento já foi imposto ao paciente e à sua família, coisa que talvez o tratamento precoce evite. O diagnóstico é tarefa exclusiva do psiquiatra, mas se os pais não desconfiam de que uma consulta com este especialista é necessária nada poderá ser feito até que a situação piore e a busca do profissional seja irremediável. Qualquer pessoa está sujeita a vir a ter esquizofrenia; a maioria dos casos não apresenta nenhuma história de parentes com a doença na família. Abaixo estão enumeradas algumas dicas: como dito acima, nenhuma delas são características mas servem de parâmetro para observação.
* Dificuldade para dormir, alternância do dia pela noite, ficar andando pela casa a noite, ou mais raramente dormir demais
* Isolamento social, indiferença em relação aos sentimentos dos outros
* Perda das relações sociais que mantinha
* Períodos de hiperatividade e períodos de inatividade
* Dificuldade de concentração chegando a impedir o prosseguimento nos estudos
* Dificuldade de tomar decisões e de resolver problemas comuns
* Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião
* Hostilidade, desconfiança e medos injustificáveis
* Reações exageradas às reprovações dos parentes e amigos
* Deterioração da higiene pessoal
* Viagens ou desejo de viajar para lugares sem nenhuma ligação com a situação pessoal e sem propósitos específicos
* Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis sem um objetivo definido
* Reações emocionais não habituais ou características do indivíduo
* Falta de expressões faciais (Rosto inexpressivo)
* Diminuição marcante do piscar de olhos ou piscar incessantemente
* Sensibilidade excessiva a barulhos e luzes
* Alteração da sensação do tato e do paladar
* Uso estranho das palavras e da construção das frases
* Afirmações irracionais
* Comportamento estranho como recusa em tocar as pessoas, penteados esquisitos, ameaças de auto-mutilação e ferimentos provocados em si mesmo
* Mudanças na personalidade
* Abandono das atividades usuais
* Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demais injustificadamente, risos imotivados
* Abuso de álcool ou drogas
* Posturas estranhas
* Recusa em tocar outras pessoas
O Diagnóstico
Não há um exame que diagnostique precisamente a esquizofrenia, isto depende exclusivamente dos conhecimentos e da experiência do médico, portanto é comum ver conflitos de diagnóstico. O diagnóstico é feito pelo conjunto de sintomas que o paciente apresenta e a história como esses sintomas foram surgindo e se desenvolvendo. Existem critérios estabelecidos para que o médico tenha um ponto de partida, uma base onde se sustentar, mas a maneira como o médico encara os sintomas é pessoal. Um médico pode considerar que uma insônia apresentada não tenha maior importância na composição do quadro; já outro médico pode considerá-la fundamental. Assim os quadros não muito definidos ou atípicos podem gerar conflitos de diagnóstico.
http://www.psicosite.com.br/tra/psi/esquizofrenia.htm
Síndrome de Peter Pan

por Carlos Guimarães Coelho
Há alguns anos isso seria uma aberração. O que era inconcebível até a década de 80, nos anos 90 passou a ser natural. As pessoas reviram seus valores e, para a surpresa dos adeptos da contracultura, fortaleceu-se o conceito de família. É comum, hoje, homens e mulheres na faixa dos 30 e 40 anos, solteiros e separados, viverem novamente sob o mesmo teto que seus pais. Muitos podem, equivocadamente, associarem esse novo padrão de comportamento à teoria do chamado Complexo de Édipo, ou à alardeada “Síndrome de Peter Pan”, mas, com um olhar aproximado às situações deste tipo, percebe-se que há muito mais naturalidade do que se imagina e, de modo algum, a liberdade dos trintões e quarentões é cerceada apenas pelo fato de habitarem a mesma casa de sua infância.
Diferentes razões levam pessoas de todos os níveis sociais a optarem por permanecer na moradia dos pais. Em vários casos apontados, prevalece uma dependência psíquica. Com ou sem culpa, o adulto solteirão não quer desvencilhar-se do porto seguro que a família representa. Em segunda instância, há o aspecto econômico. Quem chegou a essa faixa etária, presenciou um País de instabilidades econômicas, explícitas nas quatro décadas mais recentes. Com a maturidade, veio o desejo de conter gastos e usufruir mais da vida. Uma boa alternativa para isso é aconchego do lar materno. Assim, sobram mais recursos para os deleites pessoais. E, por fim, filhos que não querem deixar os pais no abandono da velhice. Querem ampará-los e dar-lhes a assistência necessária, mesmo com a existência de conflitos anteriores. Isso, em boa parte das situações acontece quando um dos cônjuges morre. O filho, então, passa a ser o esteio do par que assumiu a viuvez. Neste contexto, permanecer na casa nem sempre representa economia. Ao contrário, com a velhice aumentam-se os gastos, ainda que assistido por um bom plano de saúde.
Embora todas estas situações possam parecer conflituosas e, em decorrência, aflorar tardias crises existenciais, não é mais surpreendente perceber adultos no ápice da maturidade ainda agarrados aos mimos familiares. Em algumas culturas, sobretudo na América do Norte, os filhos são praticamente “expulsos” de casa, antes mesmo de completar a maioridade. Saem de seus lares assim que entram na faculdade e raros são os que retornam quando a concluem. No Brasil, já é bem diferente. Se, por um lado, os pais, por mais moderninhos que sejam, sempre vêem os filhos como crianças e os querem “debaixo de suas asas”, por outro, esta possessividade tem sido contornada com a convivência diária de um ser humano adulto, vivendo sob o mesmo teto e se relacionando em pé de igualdade, sem hierarquias ou relações de poder.
O ator Ivens Thilman, depois de viver em outras cidades, onde morava sozinho, após o divórcio de um breve casamento, coincidente também com a separação de seus pais, arranjou soluções criativas para uma convivência em harmonia com a sua mãe. Inicialmente, mesmo morando com ela, criou um espaço alternativo, uma espécie de estúdio, garçonière, para os momentos em que queria entrar em um processo criativo de trabalho ou mesmo apenas para ter um pouco mais de privacidade. Como estava saindo caro a manutenção de duas casas, optou por construir o mesmo espaço em cima de sua garagem, com entrada independente, mas, ao mesmo tempo, interligada à casa materna. Desse modo, preservou-se em sua individualidade sem trazer à mãe a sensação de abandono.
Para ele, não há transtorno nenhum em viver com a mãe. Ele declara que o diálogo é intenso e permanente. Quando surgem as discordâncias, ele se impõe como um ser humano adulto e, desse modo, espontaneamente, regras de convivência vão sendo estabelecidas. Maria Amélia Fernandes, também atriz, após morar em Belo Horizonte, inicialmente sozinha e depois com o ex-marido, retornou à casa dos pais, idosos, dos quais toma conta até hoje. Boa parte de seus cachês fica na manutenção das atividades de seu filho adolescente, de um sobrinho neto que vive na mesma casa e no arsenal de remédios estocados para os pais, quase centenários. Neste caso, o conflito de gerações é multiplicado por três e ela tem de pular para se manter como o ponto de equilíbrio, financeiro e psicológico, para os mais novos e os mais velhos. Claro que, de algum modo, há perdas e danos para os adultos que decidem fazer companhia aos pais idosos. Em algum momento, paga-se o preço por isso. Alguns sonhos acumulados ao longo da vida acabarão involuntariamente sendo descartados.
Tudo pode ser conflituoso e harmonioso
Por mais que o relacionamento seja tranqüilo, e que haja mecanismos para não se perder a privacidade, a casa dos pais nunca será a sua casa, nunca terá a sua identidade visual. Ainda que você seja o proprietário do imóvel. Pais geralmente nunca perdem a “autoridade” e acabam sendo sempre a opinião conclusiva na decoração, no cardápio da semana e em todas as variáveis que compõem a realidade doméstica. Além de ter uma preocupação excessiva, típica dos pais em qualquer faixa etária, com sua alimentação, com o consumo alcoólico e quaisquer outros hábitos dos quais sejam discordantes. Receber os amigos em casa? Como, convidando também os pais para estarem presentes à mesa? E fazer você pagar o maior mico quando o assunto da roda de amigos remete a algum episódio constrangedor de sua infância ou adolescência? Ou vendo a mãe preparando o seu prato e controlando a quantidade de vinho que você está consumindo?
Em se tratando de família, não há o certo e o errado. Tudo pode ser conflituoso. Tudo pode ser harmonioso. E, por mais que possa causar estranheza, pessoas maduras ainda dividirem o teto com o pai ou com a mãe, ou com ambos, isso hoje em dia já se tornou normal. Está livre de qualquer julgamento de valor que a “libertária” década de 60 apregoava. O ser humano na atualidade vive segundo os seus próprios preceitos. Não quer se prender a nenhum tipo de ideologia para dar diretrizes à sua vida pessoal. Pelo menos, a maioria, talvez por estar calejada de (des)governos tumultuando os seus planos e os seus orçamentos.
A ingerência dos pais sobre filhos adultos depende exclusivamente da postura que os filhos assumem frente à família, independente de morarem perto ou longe. Muitas vezes, os pais influenciam a vida de filhos que moram longe. Amadurecer e cortar o cordão umbilical independe de estar ou não sob o mesmo teto. O fato é que hoje as pessoas se viram como podem. E, ao contrário dos preceitos lançados na década de 60, família não é estorvo. Os conflitos existem, mas, acima de tudo, como brasileiros que somos, prevalece o afeto e o desejo de um amadurecimento coletivo.
26/08/2008
SÍNDROME DE NARCISO!

Texto de Nelson Bomilcar
Estamos sempre tentando cultuar o “narciso” que existe dentro de nós, o nosso ego, até porque, ele teima em comandar nossos sonhos, aspirações, e intenções do coração. Esta é uma herança indiscutível de nossa natureza adâmica. Natureza que busca o reconhecimento de sermos considerados pequenos deuses, objetos de culto e admiração, sem noção de nossa finitude, do Deus Infinito a quem servimos, e da realidade do sucesso transitório e efêmero.
Caetano em uma de suas canções mais inspiradas sobre São Paulo, lembrou-nos a presença e força de Narciso no coração das pessoas, clamando por aceitação e reconhecimento ou determinando nossos conceitos estéticos do belo.
No princípio do século XX o conceito de personalidade começou a circular no meio cinematográfico. Imaginava-se que a personalidade era constituída das qualidades que caracterizavam as pessoas famosas nesse novo ramo de entretenimento. Esses eram os “astros” que se destacavam na multidão: narcisistas obcecados por chamar atenção para si mesmos.
A propaganda foi usada para incitar e manipular o consumo e seus bens, produção que aumentou após a Segunda Guerra Mundial. Ela procurava ditar o que deveríamos “precisar”, “desejar”, e o que nos “tornaria felizes”. O culto da auto-realização tornou-se um alvo terapêutico e o culto da pessoa era o caminho da felicidade.
Estas noções impregnaram o contexto religioso e social de maneira geral. Noções de auto-importância acentuavam conceitos fantasiosos de liderança e da arte, fantasias de sucessos, poder, brilhantismo e beleza ilimitados, que frustram os que perseguem a realização da alma. Exibicionismo gerando falsas expectativas, sentimento de que o mundo “lhe deve algo” e quando a pessoa não é reconhecida, sente-se inferior, humilhada, com vergonha por não ter conseguido “vingar”.
Cria-se um ambiente favorável para a exploração interpessoal, busca-se a competição e o desejo de ver possíveis rivais frustrados e inferiorizados, desaparecendo a empatia e a sensibilidade com os outros. Junte o narcisismo, a propaganda e o contexto de comércio que se cria, e temos uma “equipe” nociva, destruidora e conspiradora contra as boas motivações, valores éticos e morais, e valores do Reino de Deus.
Todos os que atuam na área da música e da adoração, principalmente artistas, autores, compositores e grupos que deixaram registrados suas produções em CDs, DVDs, fitas, livros, etc, passam pela experiência da exposição de sua criação, arte e pensamento em busca também de reconhecimento e aceitação. Junto com a fome de sucesso, caminham em agenda paralela e não oficial (porém é a realidade do coração humano), pois a resposta “oficial” e politicamente correta, se argüidos, é buscar a glória de Deus e ser uma benção para os outros. Resposta automática e instantânea.
Mas, as tentações se apresentam sempre. Como diz o querido pastor Enéas Tognini, “elas continuam as mesmas: a barra de ouro, a barra da saia e a coroa de glória”. Pastores e conferencistas tem vivenciado esta experiência também, quando suas mensagens e palestras são transformadas em “produtos” para serem comercializados. As pressões aparecem de todos os lados, dentro e fora, para serem transformados em objetos de culto e adoração, através do sucesso ou da aceitação na mídia.
Vê-se pastores, escritores e líderes de louvor conceituados, participando em programas que pregam o que eles mesmos não acreditam, ou que seus próprios ensinos ou cânticos delatam, mas vestidos de cara de pau e incoerência, fazem tudo para não desprezarem a “oportunidade” de sucesso, aceitação e venderem mais. Tudo muito triste, pois perdem credibilidade e deixam de ser referenciais. O engano da falsa unidade!
Os modelos de fora que aportaram em nossas livrarias e igrejas fomentam o reconhecimento, o culto ao ego; os dons que devem “brilhar” e “serem promovidos”, as metas que precisam ser atingidas, e você não pode ser um Zé Mané, discreto, sem aspiração de aparecer, que é logo descartado ou ignorado. Buscar o reconhecimento e sucesso pode alavancar crescimento de nosso selo, gravadora, igreja, missão ou ONG e não podemos abandonar este caminho, dizem alguns.
O Dr. James Houston, fundador do Regent College no Canadá, ensinou que “a última manobra do ego é o cultivo do narcisismo espiritual, isto é, o uso do inconsciente da prática, para aumentar ao invés de reduzir sua própria importância; a busca espiritual e a coisas e práticas espirituais passa a ser um processo ou jornada de auto-engrandecimento, ao invés de uma jornada de aprofundamento da humildade”.
Calvino e Wesley mostram que, quando não buscamos a felicidade e a glória de Deus, transformamos a vida religiosa em auto-promoção. A pessoa acredita que Deus a escolheu especialmente para ter habilidades excepcionais e fazer coisas especiais para Ele. O cara que começou aquele “grande ministério”, juntou tremendo patrimônio, o homem do descarrego 110 e 220V, que luta contra os demônios B ou C, o músico que enche estádios e aeroportos, …é……olha o narcisista aí, gritando e precisando ser satisfeito.
Hoje, gravadoras, editoras e igrejas evangélicas copiam os modelos secularizados das gravadoras e editoras seculares (até com competência) sem critérios, modelos de gestão em seu negócio, buscando transformar o artista, o líder, ou a denominação na “sensação” nunca vista antes, que tem “uma unção” que ninguém nunca teve, que não deve ter contato pessoal com os outros simples mortais cristãos apreciadores de seu trabalho, apenas no meio da massa. Contam com nossos corações narcisistas, consumistas e sedentos de sucesso.
Vivi a experiência duma geração que fazia tudo por amor mesmo (pastores, missionários, jovens, artistas ou não) e quanto mais desafios, melhor. Quando nos achávamos mesmo servos (inúteis, porém alegres), movidos em servir ao Senhor pela causa que abraçamos, constrangidos pelo amor de Deus por nós, ou pelo amor às pessoas que atingíamos com nosso ministério e com nossa música, ficávamos realizados.
Tempos em que tínhamos alegria de ter contato com o público o tempo todo e não éramos transformados em seres impessoais, não ficávamos reclusos por orientação dos “empresários” evangélicos (não existiam ainda), nos hotéis cinco estrelas ou spas logo após as “gloriosas apresentações”, diga-se de passagem, devidamente pagas com cachês astronômicos.
Quer ter contato com o artista ou pregador? Lamento, tente mandar um e-mail, entre no site dele, inscreva-se no seu “fã” clube, aguarde aquela noite de autógrafos quem sabe em sua cidade, e não se esqueça, ore por ele e compre seu material!!! Se o trouxermos para nossa cidade para um evento, provavelmente, você não chegará perto de tamanha “efeméride”, pois foi mitificado e se tornou objeto de adoração, alguns com segurança e tudo.
Estamos sempre tentando cultuar o “narciso” que existe dentro de nós, o nosso ego, até porque, ele teima em comandar nossos sonhos, aspirações, e intenções do coração. Esta é uma herança indiscutível de nossa natureza adâmica. Natureza que busca o reconhecimento de sermos considerados pequenos deuses, objetos de culto e admiração, sem noção de nossa finitude, do Deus Infinito a quem servimos, e da realidade do sucesso transitório e efêmero. Somente o Espírito Santo para dominar “este espírito”.
Pode parecer que não defendo o sustento digno de seus trabalhadores e dos artistas, que tem sido, diga-se de passagem, explorados pelas próprias gravadoras e igrejas ao longo dos anos ou que acho não ser possível mostrar a criação para os outros. Não é este o raciocínio ou intenção deste artigo.
Temos que honrar aqueles que tem procurado viver seriamente e honestamente da arte e da pregação. E para isto devemos ter critérios e maturidade. Tenho um amigo muito chegado, grande pregador, que disse que agora ele “só canta” e a mensagem vai “de lambuja”, para não ser humilhado após conferências e congressos vendo os artistas ganhando “polpudos cachês” e ele, que “somente” pregou, ganhar aquela oferta vergonhosa de se dar.
Mas temos que reconhecer, na “linguagem de hoje”, Jesus teria que espantar os vendilhões do templo, das sacadas do templo, do telhado do templo, das imediações do templo. A pergunta que não quer calar: como lidar para que não se instale e se cultive o Narciso em nossas vidas? Quais vacinas para repelir este “vigoroso” vírus do sucesso e autopromoção, que muitas vezes pode nos afastar do Deus que quer ser adorado e reconhecido? Vírus solto no meio dos que estão na adoração, arte ou mesmo ministérios.
Este é o retrato: qualquer um cria ministério ou monta uma igreja, qualquer um tem CD, publica livro, fita, do zelador ao tesoureiro da igreja, do bispo cantor ao segurança da igreja, da filha do diácono ao genro do coordenador da escola dominical. Somos transformados em produtos agora, deixamos de ser pessoas, agora aspirantes a adorados e reconhecidos, roubando muitas vezes o lugar Daquele que deveria ser adorado, admirado e cultuado. Conformando-nos facilmente com isto, amoldamos a nossa consciência e ética cristã de forma distorcida e justificamos tudo e a todos. Temos que resistir! Deus nos ajude!
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