A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço!

Martinho Lutero

23/04/2009

Erupções solares põem em risco astronautas e a Terra!






Por Noticias.Terra


http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3710500-EI238,00-Erupcoes+solares+poem+em+risco+astronautas+e+a+Terra.html

Os tsunamis solares, fortes erupções de massa coronal (CME, na sigla em inglês) emanadas pelo Sol, podem representar um perigo fatal aos astronautas, naves e telescópios em missões no espaço sideral, além de interferir em sistemas de telecomunicação e de posicionamento via satélite na Terra, afirmou o coordenador do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica (CRAMM) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. A massa coronal - enorme quantidade de massa composta por partículas de elétrons - está sendo estudada pelas sondas espaciais gêmeas Stereo, da Nasa, agência espacial americana.

O físico Pierre Kaufmann é especialista no assunto e foi contratado pelo escritório de ciência da Força Aérea dos Estados Unidos para estudar a previsibilidade das ejeções de CME após o projeto da universidade ser aprovado em uma seleção internacional. As erupções se manifestam por meio da grande aceleração das partículas de elétrons que são lançadas ao espaço.

Para Kaufmann, o risco dos astronautas e equipamentos espaciais serem atingidos é "extremamente sério". "Algumas missões são até mesmo abortadas e os astronautas têm que retornar imediatamente à Terra", explicou. Este risco, conforme o coordenador, causa polêmica quando a comunidade científica internacional fala em uma viagem tripulada de longo prazo até Marte. "Ainda não temos como prever se as erupções ocorrerão antes ou depois da chegada dos astronautas", avaliou.

Os tsunamis solares também causam um forte impacto na Terra e podem perturbar o planeta de diversas maneiras, danificando permanentemente a eletrônica de satélites artificiais, atingindo a ionosfera (camada da alta atmosfera) e, por consequência, afetando as telecomunicações e a coleta de dados dos satélites, incapacitando GPSs de geolocalização, desligando parte das vias de transmissão de energia elétrica, prejudicando a produção de cargas eletroestáticas nos dutos de gás e óleo e avariando até mesmo os nossos pequenos aparelhos celulares.

No entanto, os efeitos não são sentidos apenas pela tecnologia. De acordo com Pierre Kaufmann, a energia liberada pelo Sol pode ainda provocar um impacto de longo prazo no regime climático da superfície terrestre. "Em períodos de alta atividade solar, notamos que existem menos nuvens no céu e um processo contrário nas fases de menor atividade", constatou.

As explosões solares - detonações relativamente rápidas geradas nas manchas presentes no disco solar - que, segundo destacou Kaufmann, é um processo físico diferente das erupções, são mais potentes do que mais de 10 milhões de bombas atômicas juntas.

Para se ter uma idéia do poder do tsunami solar, sua produção é muito mais freqüente e possui conteúdo de potência muito maior que o das explosões. Embora haja a diferença enorme de força, os dois tipos de ejeções de massa são relativamente lentos, levando entre 2 a 3 dias para alcançar a Terra.

Sem saída
As expectativas não são nada positivas para os seres humanos em relação ao que pode ser feito para evitar os prejuízos na Terra. "Nada pode ser feito em curto prazo. Estamos condenados a esta exposição às energias liberadas pelo Sol" afirmou Pierre Kaufmann. Para ele, "ainda estamos longe de prever com exatidão a ocorrência dos tsunamis". A saída, conforme o professor, é tentar prevenir os efeitos de alguma maneira que ainda não foi encontrada.

Nasa confiante na prevenção
Cientistas da Nasa anunciaram esta semana que os novos dados fornecidos pelas sondas espaciais gêmeas Stereo - lançadas em outubro de 2006 - podem ajudá-los futuramente a prever a ocorrência do fenômeno solar. Uma missão já em andamento também está analisando as erupções de massa coronal. A iniciativa tem o objetivo de avaliar o comportamento do Sol e criar mecanismos para prevenir os efeitos.

Os pesquisadores conseguiram mapear em 3D a movimentação dos maremotos de energia, a partir de imagens captadas pelos telescópios, para analisar suas estruturas, velocidades, direções e massas. De acordo com o físico solar Angelos Vourlidas, do Laboratório de Pesquisa Naval de Washington, as novas informações captadas pelos telescópios gêmeos vão revolucionar a pesquisa sobre o padrão climático cósmico.

"Antes desta missão, as medições e dados de CME só eram observados quando as emanações chegavam à Terra entre três e sete dias mais tarde", disse o especialista. Segundo o físico, "agora podemos ver os potentes raios no momento em que deixam a superfície do Sol até a chegada à Terra".

06/04/2009

EU NÃO TENHO NOME EM PLACAS DE RUAS!




Ora se a esperança é uma coisa que vem de Deus, é justamente colocada no peito para que o homem sonhe com um amanha melhor,a realidade vai na contra-mão de tudo isso.Sendo assim no que se vê constantemente dentro dos chamados fenômenos sociais que no século XXI vem acontecendo quase que frequentemente numa escala anual. A violência por exemplo já tem células que geram mais células em uma velocidade assombrosa,já não conseguimos mais identificar o perfil de toda a coisa, está se tornando insustentável viver nesse mundo,mas,e o bem?

O que se pode entender diante de tudo isso? Seria a globalização (‘’bem’’) e o mercado exigente escravista, uma regra para aceitação social do ser? Seria um dispositivo que está no ser e que é acionado em tempos e tempos nos chamados fenômenos sociais? Seria a religião a causa disso tudo,por ter iludido durante séculos e séculos com teologias do medo e da manipulação? Ora, elementar que tudo isso tem haver, mas não é o principio, na realidade a mente humana ainda é um complexo,um labirinto que alguns ousam adentrar , resgatam poucas informações e frágeis lógicas,geralmente teorias, e teorias podem sim ajudar a realidade ,mas existe realidade? Não é uma garantia,olhe na janela do seu carro quando ele estiver a mais de 100 km que você certamente verá tudo se distorcendo, estamos indo em uma velocidade que implica em coisas que estão além da realidade , o que antes era fábula,se materializou e vive e respira,no imaginário dos tolos e na energia dos paranóicos. Também fazem parte desse cosmo que engloba toda uma expectativa e o ser humano nesta ampla visão da finita vida e sua inseparável dor,sendo a alegria segundos de suspiro.

Alô terra tão pequena, por que na cabeça humana você é tão grande? Ou seria grandeza do ser? Por não ter chão onde pisar, só resta imaginar!

Caro Leitor (a), não há outra perspectiva se não o encontro da centelha com o fogo que ela se separou,não há segmento se não houver uma inteligência maior(força impulsionadora,Deus que dança) capaz de explicar tudo isso que esta diante de nossos olhos sendo e não sendo constantemente, em uma cosmo visão super ampliada de tudo que está ao alcance e fora , não há possibilidades para entender o surgimento de tudo com uma simples explosão fenomenal de idéias, que nos ajudam a entender todo o processo ‘’relevante’’ do que está ai diante de nossos olhos.

Quanto mais entendo a humanidade(PRODUTO DO MEIO), mais distante fico dela, exercendo o verdadeiro humanismo que vem de dentro para fora e não o contrario, justamente por não entender os valores morais que nos é impostos, nem mesmo a sociedade consegue carregar tão terrível fardo; mas ela é maliciosa e se vale dela,por que isso garante seus próprios interesses e gera uma energia que alimenta toda sua funcionalidade, para que não venha uma precariedade da sua aparente beleza,o belo sempre belo; faz bem o reconhecimento social ao ego e traz confiança e admiração entre os indivíduos que se alimentam como vampiros ,mas que também não conseguem se ver diante do espelho!

Jesus disse - estou com convosco, mas não sou desse mundo (social,produto do meio),estou indo preparar morada( reino de Deus e não dos homens).Compreender Jesus implica em inquietação,busca e amor pela verdade e transcendência; não é dizer que ele é Grande para uma platéia robotizada confirmar com amém,mas vivê-lo e entender sem paradigmas aquilo que ele queria para sua comunidade,igreja que não questiona seu papel e sua liderança, que não repensa seus valores,é uma igreja fadada ao tédio e o fardo,certamente Jesus abominaria esse modelo que está por ai!
Veio para os seus, mas os seus não o receberam, se com ele foi assim, o que seria conosco?

Certamente não há como evitar, é a natureza (queda) impedindo o encontro da centelha (alma) ao seu criador (Onisciente),que nos fez com uma certeza,a dúvida. Assim ele nos aceita e nos reconhece.Viva,entenda,perceba o tudo,ame, saia da mediocridade imposta que vem da pobre sociedade e seus troféus e medalhas!


Mas ainda não vi ,o que eu sempre quis ver...

COSMOLOGIA DA DOMINAÇÃO EM CRISE!





Há imenso sofrimento produzido pela atual crise econômico-financeira, em todos os estratos sociais, seja ricos seja pobres. Mais que a admiração é o sofrimento que nos faz pensar. É o momento de irmos para além do aspecto econômico-financeiro da crise e descermos aos fundamentos que a provocaram. Caso contrario, as causas da crise continuarão a produzir crises cada vez mais dramáticas até se transformarem em tragédias de dimensões planetárias.

O que subjaz a atual crise é a ruptura da clássica cosmologia que perdurou por séculos mas que não dá mais conta das transformações ocorridas na humanidade e no planeta Terra. Ela surgiu há pelo menos 5 milênios quando começaram a se constituir os grandes impérios, ganhou força com o Iluminismo e culminou com o projeto da tecnociência contemporâneo. Ela partia de uma visão mecanicista e antropocêntrica do universo. As coisas estão ai uma ao lado da outra, sem conexão entre si, regidas por leis mecânicas. Elas não possuem valor intrínseco, apenas valem na medida em que se ordenam ao uso humano. O ser humano se entende fora e acima da natureza, como seu dono e senhor que pode dispor dela ao seu bel prazer. Partia de uma falsa pressuposição de que poderia produzir e consumir de forma ilimitada dentro de um planeta limitado, que esta abstração fictícia chamada dinheiro representa o valor maior, que a competição e a busca do interesse individual resultarão em bem estar geral. É a cosmologia da dominação.

Pois esta cosmologia levou a crise ao âmbito da ecologia, da politica,da ética e agora da economia. As ecofeministas nos chamaram atenção para a estreita conexão existente entre antropocentrismo e patriarcalismo que desde o neolítico faz violência às mulheres e à natureza.

Felizmente a partir dos meados do século passado, vindo de várias ciências da Terra especialmente da teoria da evolução ampliada está se impondo uma nova cosmologia, mais promissora e com virtualidades capazes contribuir na travessia da crise de forma criativa. Ao invés de um cosmos fragmentado, composto pela soma de seres mortos e desconectados, a nova cosmologia vê o universo como o conjunto de sujeitos relacionais, todos inter-retro-conectados. Espaço, tempo, energia, informação e matéria são dimensões de um único grande Todo. Mesmo os átomos, mais que partículas, são entendidos como ondas e cordas em permanente vibração. Antes que uma máquina, o cosmos, incluindo a Terra, comparece como um organismo vivo que se auto-regula, se adapta, evolui e eventualmente, em situações de crise, dá saltos buscando um novo equilíbrio.

A Terra, segundo renomados cosmólogos e biólogos, é um planeta vivo – Gaia - que articula o físico, o químico, o biológico de tal forma que se torna sempre benfazeja para vida. Todos seus elementos são dosados de uma forma tão subtil que somente um organismo vivo poderia faze-lo. Somente a partir dos últimos decênios e agora de maneira inequívoca dá sinais de estresse e de perda de sustentabilidade. Tanto o universo quanto a Terra se mostram direcionados por um propósito que se revela pela emergência de ordens cada vez mais complexas e conscientes. Nós mesmos somos a parte consciente e inteligente do universo e da Terra. Pelo fato sermos portadores destas capacidades, podemos enfrentar as crises, detectar o esgotamento de certos hábitos culturais (paradigmas) e inventar novas formas de sermos humanos, de produzirmos, consumirmos e convivermos. É a cosmologia da transformação, expressão da nova era, a era ecozóica.

Precisamos abrirmo-nos a esta nova cosmologia e crer que aquelas energias (expressão da suprema Energia) que estão produzindo o universo já há mais de treze bilhões de anos estão também atuando na presente crise econômico-financeira. Elas certamente nos forçarão a um salto de qualidade rumo a um outro padrão de produção e de consumo, que efetivamente nos salvaria, pois seria mais conforme à lógica da vida, aos ciclos de Gaia e às necessidades humanas.

MUITO CEDO PARA DECIDIR!





Gandhi se casou menino. Foi casado menino. O contrato, foram os grandes que assinaram. Os dois nem sabiam direito o que estava acontecendo, ainda não haviam completado 10 anos de idade, estavam interessados em brincar. Ninguém era culpado: todo mundo estava sendo levado de roldão pelas engrenagens dessa máquina chamada sociedade, que tudo ignora sobre a felicidade e vai moendo as pessoas nos seus dentes. Os dois passaram o resto da vida se arrastando, pesos enormes, cada um fazendo a infelicidade do outro.

Vocês dirão que felizmente esse costume nunca existiu entre nós: obrigar crianças que nada sabem a entrar por caminhos nos quais terão de andar pelo resto da vida é coisa muito cruel e... burra! Além disso já existe entre nós remédio para casamento que não dá certo.

Antigamente, quando se queria dizer que uma decisão não era grave e podia ser desfeita, dizia-se: "isso não é casamento!". Naquele tempo, sim, casamento era decisão irremediável, para sempre, até que a morte os separasse, eterna comunhão de bens e comunhão de males. Mas agora os casamentos fazem-se e desfazem-se até mesmo contra a vontade do Papa, e os dois ficam livres para começar tudo de novo...

Pois dentro de poucos dias vai acontecer com nossos adolescentes coisa igual ou pior do que aconteceu com o Gandhi e a mulher dele, e ninguém se horroriza, ninguém grita, os pais até ajudam, concordam, empurram, fazem pressão, o filho não quer tomar a decisão, refuga, está com medo. "Tomar uma decisão para o resto da minha vida, meu pai! Não posso agora!" e o pai e a mãe perdem o sono, pensando que há algo errado com o menino ou a menina, e invocam o auxílio de psicólogos para ajudar...

Está chegando para muitos o momento terrível do vestibular, quando vão ser obrigados por uma máquina, do mesmo jeito como o foram Gandhi e Casturbai (era esse o nome da menina), a escrever num espaço em branco o nome da profissão que vão ter.

Do mesmo jeito não: a situação é muito mais grave. Porque casar e descasar são coisas que se resolvem rápido. Às vezes, antes de se descasar de uma ou de um, a pessoa já está com uma outra ou um outro. Mas, com a profissão não tem jeito de fazer assim. Pra casar, basta amar.

Mas na profissão, além de amar tem de saber. E o saber leva tempo pra crescer.

A dor que os adolescentes enfrentam agora é que, na verdade, eles não têm condições de saber o que é que eles amam. Mas a máquina os obriga a tomar uma decisão para o resto da vida, mesmo sem saber.

Saber que a gente gosta disso e gosta daquilo é fácil. O difícil é saber qual, dentre todas, é aquela de que a gente gosta supremamente. Pois, por causa dela, todas as outras terão de ser abandonadas. A isso que se dá o nome de "vocação"; que vem do latim, vocare, que quer dizer "chamar". É um chamado, que vem de dentro da gente, o sentimento de que existe alguma coisa bela, bonita e verdadeira à qual a gente deseja entregar a vida.

Entregar-se a uma profissão é igual a entrar para uma ordem religiosa. Os religiosos, por amor a Deus, fazem votos de castidade, pobreza e obediência. Pois, no momento em que você escrever a palavra fatídica no espaço em branco, você estará fazendo também os seus votos de dedicação total á sua ordem. Cada profissão é uma ordem religiosa, com seus papas, bispos, catecismos, pecados e inquisições.

Se você disser que a decisão não é tão séria assim , que o que está em jogo é só o aprendizado de um ofício para se ganhar a vida e, possivelmente, ficar rico, eu posso até dizer: "Tudo bem! Só que fico com dó de você! Pois não existe coisa mais chata que trabalhar só para ganhar dinheiro."

É o mesmo que dizer que, no casamento, amar não importa. Que o que importa é se o marido — ou a mulher — é rico. Imagine-se agora, nessa situação: você é casado ou casada, não gosta do marido ou da mulher, mas é obrigado a, diariamente, fazer carinho, agradar e fazer amor. Pode existir coisa mais terrível que isso? Pois é a isso que está obrigada uma pessoa, casada com uma profissão sem gostar dela. A situação é mais terrível que no casamento, pois no casamento sempre existe o recurso de umas infidelidades marginais. Mas o profissional, pobrezinho, gozará do seu direito de infidelidade com que outra profissão?

Não fique muito feliz se o seu filho já tem idéias claras sobre o assunto. Isso não é sinal de superioridade. Significa, apenas, que na mesa dele há um prato só. Se ele só tem nabos cozidos para comer, é claro que a decisão já está feita: comerá nabos cozidos e engordará com eles. A dor e a indecisão vêm quando há muitos pratos sobre a mesa e só se pode escolher um.

Um conselho aos pais e aos adolescentes: não levem muito a sério esse ato de colocar a profissão naquele lugar terrível. Aceitem que é muito cedo para uma decisão tão grave. Considerem que é possível que vocês, daqui a um ou dois anos, mudem de idéia. Eu mudei de idéia várias vezes, o que me fez muito bem. Se for necessário, comecem de novo. Não há pressa. Que diferença faz receber o diploma um ano antes ou um ano depois?

Em tudo isso o que causa a maior ansiedade não é nada sério: é aquela sensação boba que domina pais e filhos de que a vida é uma corrida e que é preciso sair correndo na frente para ganhar. Dá uma aflição danada ver os outros começando a corrida, enquanto a gente fica para trás.

Mas a vida não é uma corrida em linha reta. Quando se começa a correr na direção errada, quanto mais rápido for o corredor, mais longe ele ficará do ponto de chegada. Lembrem-se daquele maravilhoso aforismo de T. S. Eliot: "Num país de fugitivos os que andam na direção contrária parecem estar fugindo."

Assim, Raquel, não se aflija. A vida é uma ciranda com muitos começos.

Coloque lá a profissão que você julgar a mais de acordo com o seu coração, sabendo que nada é definitivo. Nem o casamento. Nem a profissão. E nem a própria vida...

O escritor responde a uma estudante angustiada e dá aos pais motivos para meditarem sobre a escolha da profissão.

EXISTE UM DEUS QUE NÃO É DEUS!





Existe um deus que não é Deus. O único com força para enfrentar a Deus. Essse deus não vive em alguma dimensão cósmica ou ponto do universo. Seu oratório é a mente humana. Ele é um deus familiar, pois vive nos espelhos da alma. Mesquinho, cobra desempenhos impossíveis. Inclemente, castiga as inadequações dos fracos com fúria. Ofendido por uma pessoa, dizima gerações inteiras. Imprevisível, age com um humor indetectável.

Existe um deus que não é Deus. Capaz de ofuscar o próprio Deus, misturou-se em todas as religiões. Sanguinário, exige sacrifício para estender a sua compaixão. Impassivo, privilegia os eleitos e condena o resto. Indiferente, descarta a prece da criança quando não se encaixa em seus propósitos. Distante, volta as costas para os miseráveis em nome da coerência.

Existe um deus que não é Deus. É possível encontrá-lo nos paços sacerdotais, nas leis canônicas, nas teologias que o sistematizaram. Ele vingou na religião e a cúrias já mapearam as suas ações. Sem bondade, ele defende a virtude. Sem graça, faz apologia da verdade. Os cristão sabem que ele existe; já provaram o fel de sua justiça na Inquisição. O homem-bomba de hoje testemunha o seu furor para os muçulmanos. Ele aparece em cada campanha de oração pentecostal para mostrar como é difícil ganhar o seu favor.

Existe um deus que não é Deus. Ele é uma divindade que não suporta ver Jesus almoçando com pecadores, bebendo vinho perto de mulheres suspeitas, elogiando pagãos ou prometendo o Paraíso para gatunos. Esse deus precisa desaparecer, pois é um ídolo malvado. E só com a sua morte nascerá o Salvador.

Soli Deo Gloria.

EU TAMBÉM NÃO TE CONDENO!






Pode procurar que você não vai achar. Não importa aonde vá, estou absolutamente convencido de que há duas coisas que você nunca vai achar. Você pode correr o mundo e o tempo, e tenho certeza que jamais conseguirá achar alguém que não se envergonhe de algo em seu passado. Para qualquer lugar que você vá, lá estarão elas, as pessoas que gostariam de apagar um momento, uma fase, um ato, uma palavra, um mínimo pensamento. Todo mundo tenta disfarçar, e certamente há aqueles que conseguem viver longos períodos sem o tormento da lembrança. Mas mesmo estes, quando menos esperam são assombrados pela memória de um ato de covardia, um gesto de pura maldade, um desejo mórbido, um abuso calculado, enfim, algo que jamais deveriam ter feito, e que na verdade, gostariam de banir de suas histórias ou, pelo menos, de suas recordações.

Isso é uma péssima notícia para a humanidade, mas uma ótima notícia para você: você não está sozinho, você não está sozinha. Inclusive as pessoas que olham em sua direção com aquela empáfia moral e sugerem cinicamente que você é um ser humano de segunda ou terceira categoria, carregam uma página borrada em sua biografia, grampeada pela sua arrogância e selada pelo medo do escândalo, da rejeição e da condenação no tribunal onde a justiça jamais é vencida. Você não está sozinho. Você não está sozinha. Não importa o que tenha feito ou deixado de fazer, e do que se arrependa no seu passado, saiba que isso faz de você uma pessoa igual a todas as outras: a condição humana implica a necessidade da vergonha.

A segunda coisa que você nunca vai encontrar é um pecado original. Não tenha dúvidas, o mal que você fez ou deixou de fazer está presente em milhares e milhares de sagas pessoais. Não existe algo que você tenha feito ou deixado de fazer que faça de você uma pessoa singular no banco dos réus – ao seu lado estão incontáveis réus respondendo pelo mesmíssimo crime. Talvez você diga, “é verdade, todos têm do que se envergonhar, mas o que eu fiz não se compara ao que qualquer outra pessoa possa ter feito”. Engano seu. O que você fez ou deixou de fazer não apenas se compara, como também é replicado com absoluta exatidão na experiência de milhares e milhares de outras pessoas. Isso significa que você jamais está sozinho, jamais está sozinha, na fila da confissão.

Talvez por estas razões, a Bíblia Sagrada diz que devemos confessar nossas culpas uns aos outros: os humanos não nos irmanamos nas virtudes, mas na vergonha. Este é o caminho de saída do labirinto da culpa e da condenação: quando todos sussurrarmos uns aos outros “eu não te condeno”, ouviremos a sentença do Justo Juiz: “ninguém te condenou? Eu também não te condeno”.

É isso, ou o jogo bruto de sermos julgados com a medida com que julgamos. A justiça do único justo reveste os que têm do que se envergonhar quando os que têm do que se envergonhar desistem de ser justos.

A ORAÇÃO COMO MACUMBA CRISTÃ!






“Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa”.



Quem disse isto ou é o maior cara de pau do mundo, ou, então, diz o que diz por que pode bancar o que afirma.

Entretanto, para quem lê desavisadamente, parece que Jesus está prometendo o Baú dos Desejos feitos prece.

Todavia, não é assim.

Ele não manda que se peça o que se quer; mas sim que se deseje o que a Deus e de Deus se possa pedir.

Por isto Tiago diz:

“Pedis e nada tendes; pois, pedis mal, para esbanjardes nos vossos prazeres”.

João completamente afirmando:

“Pois sabemos que obtemos o que lhe pedimos, pois, é segundo a sua vontade que pedirmos”.






Isto nos é dito por que quase sempre as orações são preces do egoísmo, do hedonismo ou da dor irrefletida.

Pouca gente ora por prazer e amor; e com a alma cheia de gratidão em todas as coisas.

Isto porque o espírito da religião quase sempre faz a pessoa crer que haja uma contravenção prometida na oração.

Daí se ouvir pessoas, afirmando suas causas, dizerem: “A oração tem poder” — visto que lhes pareça que “orar” seja a macumba permitida pelo “Deus” que não é o diabo.

A crença é que “Jesus” seja uma espécie Grau 33 da Maçonaria Universal, e que os crentes sejam os fies cúmplices Dele na Grande Loja Cristã.

Na realidade se crê que a “Igreja” seja a Loja. Seja o lugar dos confrades de Deus. Seja o lugar/vínculo entre o Grande Mestre [Jesus] e os demais maçons de “igreja”; especialmente os pastores e sacerdotes oficiais.

No alto de tudo está o Grande Arquiteto do Universo dos Crentes: “Deus”.

Para outros menos sofisticados, quando pensam em orações respondidas segundo as suas vontades e desejos, e não segundo a vontade de Deus, a melhor imagem de oração como contravenção solidária é a Máfia.

Nesse caso “Jesus” é o Chefão, a “igreja” é a Família, e os crentes simples são os filhos dos “gangsters-sacerdotes”; que são os representantes dos interesses do Chefão e da Família.

Nesse caso Deus é “Deus” conforme “Deus” seja para a Máfia.

E creia: não existe máfia sem “Deus”.

Quase todo contraventor é profundamente religioso e supersticioso, assim como quase todo traficante é cheio de “crença” em “Deus”.

Sei o que falo. Passei três anos conversando com os principais traficantes do Brasil em Bangu I.

Uma vez “Celsinho da Vila Vintém”, que eu havia conseguido transferir de Bangu I para o presídio Milton Dias Moreira, desobedeceu ao acordo que tinha comigo — eu havia conseguido transferi-los com a condição de que não fugissem, ele e mais outros 11, entre eles “Gregório, o Gordo”, bem como o “Japonês”.

Pois bem, o “Celsinho” fugiu e voltou para a pobre Vila Vintém, no Rio.

Um mês depois ele havia matado dezenas...

Tocou terror geral...

As senhoras, as “tias” da favela, pediam a ele que não fizesse mais aquela vingança contra os que ele julgava que o haviam traído.

Ele disse que somente ouviria a mim...

Era o meio da Operação Rio, com o exercito nas ruas e nas favelas, e as Policias em estado de guerra — 1994.

Foi uma mirabolancia chegar até ele... De madrugada... Largado no escuro no meio de um terreno baldio no coração do nada, na Vila Vintém.

Ele pulou do alto de uma laje até onde eu estava!...

“Revendo, não me amaldiçoe. Me abençoe!” — foi logo pedindo, como se eu fosse um bruxo com poderes de matá-lo com uma palavra.

“Tô matando, mas é só malandro e traidor. Ponho o corpo no pneu e toco fogo mermo... Mas, pastor, a causa é justa... Ponha a mão na minha cabeça!...” — gritava ele, em pânico, temendo que eu dissesse que ele estava amaldiçoado.

No entanto, o que ele cria era que, como eu estivera com ele e outros 47, durante três anos, duas vezes na semana, e ajudara as famílias deles, e fizera com que direitos adquiridos fossem por eles ganhos — que isto me fazia cúmplice dele; e mais: que, por meu intermédio, Deus se faria sócio dele em orações e interesses.

Em geral é o mesmo espírito que encontro entre os crentes!

Como aceitaram a Jesus, se batizaram, dão o dízimo, cantam no coral ou nos grupos de louvor; aceitam as ordens pastorais; e vivem dentro do ambiente físico do templo — pensam que, por tal razão, sejam da Família, ou da Loja, ou da Confraria, ou do Bando de Jesus.

De fato “crente” acaba se convencendo que Jesus seja o líder do bando dos fieis aos cultos e no dízimo.

Ora, tais “pactos” feitos entre eles e “Deus” pela via da Loja, da Família ou da Gang, dão ao crente esse sentimento que, pela oração, Deus esteja disponível para a contravenção contra a vida; e até contra o que Ele mesmo chame Verdade.

Quando o espírito é esse, creia: toda oração respondida é respondida pelo diabo como deus dos espíritos existentes em ódio, amargura e vingança.

Ou seja:

Quem responde as orações da morte e do ódio é sempre aquele que vem para roubar, matar e destruir.

Assim, dependendo da oração que se faça se estará orando a Deus ou ao diabo.

O que determina uma oração não é seu ato, e nem tampouco se o nome “Jesus” é utilizado, e nem se o termo “Deus” aparece o tempo todo na prece, mas sim exclusivamente seu espírito e seu conteúdo.

Dependendo do conteúdo existencial de quem ora e dependendo do que se pede, a oração vai para Deus ou vai para o diabo — falando do modo mais infantil possível, pra ver se sou entendido.

O endereço da oração é determinado pelo que o homem tenha no coração, e não na boca.

A oração é sempre o desejo...

Se o desejo for bom e do bem, a oração será boa e para Deus.

Se desejo for mal e do mal, a oração é uma macumba feita com despacho.

Por isto, digo:

Não peça a Deus aquilo que é o diabo que gosta de atender!

Oração a Deus mesmo, saiba: somente acontece segundo a Sua Vontade.

O mais é macumba...



Nele,



Caio

6 de abril de 2009

Lago Norte

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