A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço!

Martinho Lutero

18/02/2009

O MUNDO PERTO DO DESERTO,VOCÊ TEM QUE ACORDAR!

INFORMAÇÃO,NÃO É ALARMISMO,É FATO!

Desmatamento, também chamado de desflorestamento, nas florestas brasileiras começou no instante da chegada dos portugueses ao nosso país, no ano de 1500. Interessados no lucro com a venda do pau-brasil na Europa, os portugueses iniciaram a exploração da Mata Atlântica. As caravelas portuguesas partiam do litoral brasileiro carregadas de toras de pau-brasil para serem vendidas no mercado europeu. Enquanto a madeira era utilizada para a confecção de móveis e instrumentos musicais, a seiva avermelhada do pau-brasil era usada para tingir tecidos.

Desde então, o desmatamento em nosso país foi uma constante. Depois da Mata Atlântica, foi a vez da Floresta Amazônica sofrer as conseqüências da derrubada ilegal de árvores. Em busca de madeiras de lei como o mogno, por exemplo, empresas madereiras instalaram-se na região amazônica para fazer a exploração ilegal. Um relatório divulgado pela WWF ( ONG dedicada ao meio ambiente ) no ano de 2000, apontou que o desmatamento na Amazônia já atinge 13% da cobertura original. O caso da Mata Atlântica é ainda mais trágico, pois apenas 9% da mata sobrevive a cobertura original de 1500.

Embora os casos da Floresta amazônica e da Mata Atlântica sejam os mais problemáticos, o desmatamento ocorre nos quatro cantos do país. Além da derrubada predatória para fins econômicos, outras formas de atuação do ser humano tem provocado o desmatamento. A derrubada de matas tem ocorrido também nas chamada frentes agrícolas. Para aumentar a quantidade de áreas para a agricultura, muitos fazendeiros derrubam quilômetros de árvores para o plantio.

O crescimento das cidades também tem provocado a diminuição das áreas verdes. O crescimento populacional e o desenvolvimento das indústrias demandam áreas amplas nas cidades e arredores. Áreas enormes de matas são derrubadas para a construção de condomínios residenciais e pólos industriais. Rodovias também seguem neste sentido. Cruzando os quatro cantos do país, estes projetos rodoviários provocam a derrubada de grandes faixas de florestas.

Outro problema sério, que provoca a destruição do verde, são as queimadas e incêndios florestais. Muitos deles ocorrem por motivos econômicos. Proibidos de queimar matas protegidas por lei, muitos fazendeiros provocam estes incêndios para ampliar as áreas para a criação de gado ou para o cultivo. Também ocorrem incêndios por pura irresponsabilidade de motoristas. Bombeiros afirmam que muitos incêndios tem como causa inicial as pontas de cigarros jogadas nas beiradas das rodovias.
Este problema não é exclusivo do nosso país. No mundo inteiro o desmatamento ocorreu e ainda está ocorrendo. Nos países em desenvolvimento, principalmente asiáticos como a China, quase toda a cobertura vegetal foi explorada. Estados Unidos e Rússia também destruíram suas florestas com o passar do tempo.







Embora todos estes problemas ambientais estejam ainda ocorrendo, verifica-se uma diminuição significativa em comparação ao passado. A consciência ambiental das pessoas está alertando para a necessidade de uma preservação ambiental. Governos de diversos países e ONGs de meio ambiente tem atuado no sentido de criar legislações mais rígidas e uma fiscalização mais atuante para combater o crime ecológico. As matas e florestas são de extrema importância para o equilíbrio ecológico do planeta Terra e para o bom funcionamento climático. Espera-se que, no início deste novo século, o homem tome consciência destes problemas e comece a perceber que antes do dinheiro está a vida de nosso planeta e o futuro das gerações futuras. Nossos filhos têm o direito de viverem num mundo melhor.


Vale lembrar:

- O desmatamento numa determinada região pode provocar o processo de desertificação (formação de desertos e regiões áridas). Este processo vem ocorrendo no sertão nordestino e no cerrado de Tocantins nas últimas décadas.

Pense você!



Por Eric Fromm

Valioso e bom é tudo aquilo que contribui para o maior desdobramento das faculadades específicas do homem e que favorece a vida.Negativo ou mau é tudo que estrangula a vida e paralisa a atividade do homem (...)Vencer sua propia cobiça,amar seu próximo,o conhecimento da verdade(diferente do conhecimento não crítico dos fatos)São as metas comuns a todos os sistemas humanistas filosóficos.

FRASE DO MÊS!




Por Martin Buber


''Toda esta tagarelice dos homens não constitui uma verdadeira palavra, suporto-a para poder gozar o silêncio que passa através dela''

E Deus sabe dançar?





Por Caio Fabio

''Eu só creria num Deus que soubesse dançar...” Friedrich Nietzsche “




...e dizem: Eis aí está um glutão, bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores...” Jesus de Nazaré “...veio o Filho do Homem...que comia e bebia...e vós não cantastes...” Jesus de Nazaré De fato em Jesus Deus dança com os homens. Ninguém que leia o Evangelho deixará de ver Jesus em constante danças... Começa Seu ministério interrompendo a falência de uma festa...transforma água em vinho... Ele é recriminado porque atende a convites para festas em casas de pessoas pouco recomendáveis. Sua misericórdia para com o drama humano é musica da Graça aos ouvidos oprimidos.]


E quando Ele deseja expressar a alegria de Deus e de anjos pela chegada da consciência a algum coração, Ele prepara o cenário de uma festa. O pai do pródigo dançava e gostava de música. Nietzsche não viu nada.



Aliás, viu tanto “cristianismo” que não viu Deus dançando em Cristo. Ele mesmo não percebeu o quão pré-condicionado estava. Não conseguiu enxergar que tudo era um convite para a festa na casa do Pai. As parábolas de Jesus estão cheias de convites para que se venha dançar. Quando ninguém atende ao convite, ainda assim Ele não cancela a festa: enche a casa de mendigos, veste-os com trajes próprios, e ordena a liberdade. Até João Batista, que não dançava do lado de fora, sabia que o que estava acontecendo era uma festa. Jesus era o noivo. A festa era Dele. João se alegrava. De fato, se eu tivesse que dizer alguma coisa ao filósofo, lhe diria: Eu é que não acredito em filósofos que não sabem dançar...e nem ver quando a festa está proposta.

O que custava ao filósofo era crer que Deus não tinha nada a ver com o mal humor do Cristianismo. Acabou que o pensador foi incapaz de ouvir as músicas e entrar na festa. Quem tem ouvidos para ouvir as músicas da Graça, que entre na festa. Deus está chamando você pra dançar. É por isso é que o convite tem o nome de Boas Novas.

17/02/2009

COMO SÃO SEU ADÃO E SUA EVA NO PARAÍSO?




Por Caio Fabio

A visão moral fantasiosa sobre a vida de “Adão e Eva no Paraíso” — rsrsrs — é tão irreal que torna a narrativa mítico-histórica do Gênesis uma Estória, uma fabula, um conto infantil.

Os judeus aparentemente não tiveram muitas ilações sobre como era a vida sexual do casal primordial, mas os cristãos superabundaram em ilações e até conclusões.

Jesus apenas aludiu ao casal primordial a fim de dizer que a intenção de Deus na criação, ao fazer homem e mulher, não um homem e muitas mulheres, era que o homem fosse monogâmico — mas é aí que Jesus fica; apenas dizendo: “Não foi assim desde o principio!”

No entanto, em séculos posteriores, os “Pais da Igreja” começaram a se meter no sexo do casal primordial, na intenção de criarem uma existência assexuada para os então “fiéis” do nascente cristianismo.





Afinal, os crentes teriam que ser melhores do que Adão antes de comer o que não deveria...

Foi assim que Adão e Eva nunca transaram antes de comerem do fruto — pensavam.

Foi também assim que eles somente tiveram filhos depois de pecarem.

Foi pela mesma razão também que no inconsciente coletivo da cristandade, o fruto, que virou “maçã” — era, de fato, a pepequinha da Eva.

Ultimamente li alguém que me perguntava qual teria sido a perversão de Adão [“comendo” Eva], que fez com que Deus lançasse os dois para fora do Paraíso... Rsrsrs.

Já pensou?...

Agora Adão e Eva, que antes não transavam, foram expulsos por excessos na transa e nos fetiches!...
São os tempos!...

Cada um vê como vê!

E cada um vê conforme seu próprio coração!

A ilustração acima, de Adão e Eva na visão mulçumana, não somente é engraçada como também demonstra na forma de caricatura a visão islâmica do sexo.

Meu Adão e minha Eva eram muito ativos sexualmente, muito alegres, muito nus, muito simples, muito mamíferos, muito harmônicos com o todo, e, também, muito diferentes de nós.

Transar para eles não era como transar para nós!

Assim como eles não viam um leão e não diziam: Nossa! Um leão!

Para Adão a pepeca era como a pepeca. Somente isto. E dali, sabia ele, procediam as alegrias maiores da criação debaixo do sol.

Adão não tinha essas questões.

Além disso, ele também não era nem pós-moderno e nem metro-sexual.

Adão era um homem.

Eva uma mulher.

Ele era macho.

Ela era fêmea.

Era apenas assim.

O mais é caricatura de mulçumano em mente de cristão.

Rsrsrs.

A IGREJA




Por Brissos Lino


“No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio.”
(Richard Halverson)

O percurso da Igreja, ao longo destes dois milénios de história, nunca foi linear. Ela procurou sempre, como sujeito da História, sobreviver, nuns casos, resistir noutros, dominar, nalgumas circunstâncias, ou ser minimamente relevante noutras.

Lutou contra inúmeras ameaças externas, provenientes da política, da filosofia e da religião, e teve que lidar com frequentes dissensões internas. Por fim dividiu-se uma primeira vez, durante o chamado Cisma do Oriente, separando o mundo latino do grego, dando assim origem às igrejas ortodoxas, e meio milénio mais tarde, através da Reforma religiosa na Europa, com o advento do protestantismo, pela mão de Lutero.

A partir do momento em que a Igreja deixou de se comportar como motor da História no mundo ocidental, limitou-se a reagir aos acontecimentos ou a imitar o sistema do mundo sem Deus.

Foi assim que surgiram os credos e os concílios. A Igreja reagiu desta forma de modo a clarificar e unificar os fundamentos da fé, perante a sua própria expansão, e combater as diversas heresias que a atacavam perigosamente.

Foi assim que se estruturou hierarquicamente, para imitar o funcionamento modelar do império romano, julgando que aquilo que era bom para o império seria igualmente bom para si própria.

Foi assim, ainda, que não resistiu à tentação de substituir a figura do imperador, em Roma, quando Constantino mudou a capital para a antiga Bizâncio. Perante a vacatura do poder, na cidade eterna, a Igreja tratou de o assumir, demonstrando assim que a atracção do poder exerce um fascínio tremendo sobre si.

Estas três vertentes: a atitude reactiva aos ataques e perigos, o mimetismo à imagem dos sistemas exteriores, e a tentação do poder, continuam, porventura, a constituir a sua maior fraqueza espiritual.

Mas a verdade é que a Igreja também se foi moldando conforme os tempos e o meio, afastando-se do propósito original.

A Igreja como filosofia
Jesus Cristo nunca se assumiu como filósofo. O seu pensamento era invariavelmente centrado nas pessoas e não em especulações metafísicas. Centrado na vivência prática das pessoas, na sua relação com Deus e com os outros, e no seu futuro eterno.
As discussões talmúdicas, tão ao gosto dos religiosos judeus do seu tempo, passavam-lhe completamente ao lado. A Bíblia não dá conta de qualquer momento em que o Mestre se tenha disposto voluntariamente a entregar a tais argumentações. Quando tinha doze anos discutiu por uma vez com os doutores da lei, no templo. Todos os outros relatos do Evangelho sobre troca de impressões entre Jesus e os religiosos do Judaísmo, ocorreu na sequência do normal desenrolar do seu ministério público, e não por escolha sua.

A Igreja como instituição
Assim como o Nazareno afirmara “o meu reino não é deste mundo” (1), da mesma forma deveria ser entendido que o lugar da Igreja não é neste mundo. Até porque, e desde logo em termos etimológicos, igreja (gr. “ekklesia”) significa “os chamados para fora”.
Na famosa oração sacerdotal, Jesus deixou bem explícito que os seus seguidores “não são do mundo assim como eu não sou do mundo” (2), acrescentando, porém, “não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (3).
A institucionalização da Igreja desvirtuou, por isso, o seu sentido mais profundo. Nem Israel entendeu este paradoxo cristão (uma espiritualidade sem poder temporal), nem a própria Igreja o aceitou plenamente na prática.

A Igreja como cultura
A Igreja faz Cultura. Por si mesma constitui-se como factor cultural relevante em qualquer sociedade em que se encontre inserida. Mas fá-lo (ou deve fazê-lo) de forma espontânea e não no sentido de forçar ou impor ao conjunto das sociedades as suas ideias, valores e opções de vida. A Igreja apresenta-se assim, naturalmente, como uma alternativa cultural.
Na realidade, a milenar influência cristã nesta Europa pós-moderna e cada vez mais multicultural já de pouco vale. A sensação que se tem é que a Igreja já não sabe falar à cidade dos homens, nem sabe viver como carta viva de Cristo no meio deles. Perdeu o seu fulgor profético. Por isso, ainda que fale, dificilmente consegue comunicar a mensagem evangélica.

A Igreja como negócio
Os anos oitenta foram a era por excelência dos evangelistas de televisão, estrelas mediáticas do universo americano, os quais se constituíram como paradigma da religião enquanto iniciativa privada. Mais recentemente, a chegada a Portugal de movimentos neopentecostais, arautos da teologia da prosperidade, trouxe para a realidade nacional um fenómeno anteriormente visto como distante.
Mas o meio católico também não foge à fama negocista, dada a proverbial riqueza do Vaticano e o movimento financeiro dos santuários, por exemplo.

Quando voltará a Igreja de Jesus Cristo a ser um grupo de homens e mulheres centrados no Cristo vivo, e apenas isso? Na sua fraqueza estaria então a sua verdadeira força. Quando é que os cristãos o compreenderão?

(1) João 18:36.
(2) João 17:14.
(3) João 17:15.

Sobre a morte e o morrer





Por Rubem Alves


O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.