A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço!

Martinho Lutero

28/08/2008

O ENCONTRO DA TEMPORALIDADE COM A INTEMPORALIDADE!








Texto Heuring Felix Motta



''Humilhando-se em Cristo, em graça e misericórdia, e participando nos humildes para elevá-los... Paul Tillich''


O tempo implica no ‘’não ser’’ e o ser não pode não ser, sendo que Deus está acima da existência pois ele é o ‘’ser em si’’, e não o ‘’ser’’, o ser em si se torna ser para que haja um encontro entre o ser existencial(nós) com o ser intemporal e infinitamente inominável.‘’Acontece que o Ser humano não está em um nível de consciência elevado o suficiente para ter acesso à condição última do Ser que é a intemporalidade e o infinito...Alguns homens como Cristo chegaram a este nível psicológico onde a Realidade de Deus era manifesta’’!

Quando andamos de carro percebemos que fazemos parte do tempo,simplesmente por que se estivermos a 140 km de velocidade as imagens se distorcem,no mundo do ser existencial tudo é finito,imagens e objetos,tudo tem começo e fim,nesta temporalidade que só tem sentido especificamente naquilo que chamamos de ''kairos'' (momento histórico), o momento histórico e não físico é que de fato se torna qualitativo,tendo o tempo sentido, e neste momento qualitativo é que a intemporalidade se manifesta para se unir na temporalidade,o encontro do ser existencial com o ser infinitamente inominável ,não é a temporalidade que quer se unir a Deus,mas Deus em Jesus Cristo se humilhou para elevar a condição humana e fazer com que essa elevação se encontre com o ‘’ser em si’’(Deus) Alguns homens como Cristo chegaram a este nível psicológico, onde a Realidade de Deus era manifesta, Jesus é o centro de tudo, embora a eternidade não signifique tempo antes do tempo, nem ausência de tempo. Existe um mundo centrado na terra, e uma história centrada no Cristo. Esse único processo vem eternamente da intenção de Deus. Estamos no centro de tudo o que acontece e Cristo está no centro de tudo o que somos!

O tempo finita todas as possibilidades do ser existencial, convivemos com nossos limites e objetos finitamente que sempre deixarão de ser, sendo que Deus não existe por que ele está acima da existência, Deus é intemporal,não há inicio e fim como o ser existencial,mas tudo que vemos mesmo que distorcidamente por causa da nossa condição finita, faz parte de Deus ‘’o ser em si’’!

De modo que somente o amor que é a chave divina para esse encontro, é que percebemos que a intemporalidade habita, nesse encontro que o ser (existencial,homem finito) almeja pelo ser(Deus,ser em si,intemporal e infinito)!

Quando amamos as coisas corretamente, incluindo a nós mesmos, amamos a substância divina presente nelas e em nós. Quando amamos as coisas em si, separadas do fundamento divino delas, amamos erradamente; e nos separamos de Deus.

Há, no pensamento, certo tipo de amor correto por nós mesmos. É o amor com que o amamos, enquanto amados por Deus. Em outras palavras, amamos a Deus, fundamento divino do ser, por meio de nós mesmos, e a sustentação de tudo é a fé,que não é um sentimento,nem uma crença,mas, algo que nos liga a intemporalidade,que abre uma dimensão para o finito ter esperança em está no ‘’ser em si’’(Deus) pois foi isso que Jesus se tornou,se unindo em Deus e se tornando uno e nos elevou a condição de se tornar uno,verdade em si!


E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo... tempo... tempo ...tempo
Não serei nem terás sido
Tempo... tempo... tempo ...tempo. (Caetano Veloso)

26/08/2008

TV SOL: AMY GRANT

SÍNDROME DE NARCISO!





Texto de Nelson Bomilcar

Estamos sempre tentando cultuar o “narciso” que existe dentro de nós, o nosso ego, até porque, ele teima em comandar nossos sonhos, aspirações, e intenções do coração. Esta é uma herança indiscutível de nossa natureza adâmica. Natureza que busca o reconhecimento de sermos considerados pequenos deuses, objetos de culto e admiração, sem noção de nossa finitude, do Deus Infinito a quem servimos, e da realidade do sucesso transitório e efêmero.
Caetano em uma de suas canções mais inspiradas sobre São Paulo, lembrou-nos a presença e força de Narciso no coração das pessoas, clamando por aceitação e reconhecimento ou determinando nossos conceitos estéticos do belo.

No princípio do século XX o conceito de personalidade começou a circular no meio cinematográfico. Imaginava-se que a personalidade era constituída das qualidades que caracterizavam as pessoas famosas nesse novo ramo de entretenimento. Esses eram os “astros” que se destacavam na multidão: narcisistas obcecados por chamar atenção para si mesmos.

A propaganda foi usada para incitar e manipular o consumo e seus bens, produção que aumentou após a Segunda Guerra Mundial. Ela procurava ditar o que deveríamos “precisar”, “desejar”, e o que nos “tornaria felizes”. O culto da auto-realização tornou-se um alvo terapêutico e o culto da pessoa era o caminho da felicidade.

Estas noções impregnaram o contexto religioso e social de maneira geral. Noções de auto-importância acentuavam conceitos fantasiosos de liderança e da arte, fantasias de sucessos, poder, brilhantismo e beleza ilimitados, que frustram os que perseguem a realização da alma. Exibicionismo gerando falsas expectativas, sentimento de que o mundo “lhe deve algo” e quando a pessoa não é reconhecida, sente-se inferior, humilhada, com vergonha por não ter conseguido “vingar”.

Cria-se um ambiente favorável para a exploração interpessoal, busca-se a competição e o desejo de ver possíveis rivais frustrados e inferiorizados, desaparecendo a empatia e a sensibilidade com os outros. Junte o narcisismo, a propaganda e o contexto de comércio que se cria, e temos uma “equipe” nociva, destruidora e conspiradora contra as boas motivações, valores éticos e morais, e valores do Reino de Deus.

Todos os que atuam na área da música e da adoração, principalmente artistas, autores, compositores e grupos que deixaram registrados suas produções em CDs, DVDs, fitas, livros, etc, passam pela experiência da exposição de sua criação, arte e pensamento em busca também de reconhecimento e aceitação. Junto com a fome de sucesso, caminham em agenda paralela e não oficial (porém é a realidade do coração humano), pois a resposta “oficial” e politicamente correta, se argüidos, é buscar a glória de Deus e ser uma benção para os outros. Resposta automática e instantânea.

Mas, as tentações se apresentam sempre. Como diz o querido pastor Enéas Tognini, “elas continuam as mesmas: a barra de ouro, a barra da saia e a coroa de glória”. Pastores e conferencistas tem vivenciado esta experiência também, quando suas mensagens e palestras são transformadas em “produtos” para serem comercializados. As pressões aparecem de todos os lados, dentro e fora, para serem transformados em objetos de culto e adoração, através do sucesso ou da aceitação na mídia.

Vê-se pastores, escritores e líderes de louvor conceituados, participando em programas que pregam o que eles mesmos não acreditam, ou que seus próprios ensinos ou cânticos delatam, mas vestidos de cara de pau e incoerência, fazem tudo para não desprezarem a “oportunidade” de sucesso, aceitação e venderem mais. Tudo muito triste, pois perdem credibilidade e deixam de ser referenciais. O engano da falsa unidade!

Os modelos de fora que aportaram em nossas livrarias e igrejas fomentam o reconhecimento, o culto ao ego; os dons que devem “brilhar” e “serem promovidos”, as metas que precisam ser atingidas, e você não pode ser um Zé Mané, discreto, sem aspiração de aparecer, que é logo descartado ou ignorado. Buscar o reconhecimento e sucesso pode alavancar crescimento de nosso selo, gravadora, igreja, missão ou ONG e não podemos abandonar este caminho, dizem alguns.

O Dr. James Houston, fundador do Regent College no Canadá, ensinou que “a última manobra do ego é o cultivo do narcisismo espiritual, isto é, o uso do inconsciente da prática, para aumentar ao invés de reduzir sua própria importância; a busca espiritual e a coisas e práticas espirituais passa a ser um processo ou jornada de auto-engrandecimento, ao invés de uma jornada de aprofundamento da humildade”.

Calvino e Wesley mostram que, quando não buscamos a felicidade e a glória de Deus, transformamos a vida religiosa em auto-promoção. A pessoa acredita que Deus a escolheu especialmente para ter habilidades excepcionais e fazer coisas especiais para Ele. O cara que começou aquele “grande ministério”, juntou tremendo patrimônio, o homem do descarrego 110 e 220V, que luta contra os demônios B ou C, o músico que enche estádios e aeroportos, …é……olha o narcisista aí, gritando e precisando ser satisfeito.

Hoje, gravadoras, editoras e igrejas evangélicas copiam os modelos secularizados das gravadoras e editoras seculares (até com competência) sem critérios, modelos de gestão em seu negócio, buscando transformar o artista, o líder, ou a denominação na “sensação” nunca vista antes, que tem “uma unção” que ninguém nunca teve, que não deve ter contato pessoal com os outros simples mortais cristãos apreciadores de seu trabalho, apenas no meio da massa. Contam com nossos corações narcisistas, consumistas e sedentos de sucesso.

Vivi a experiência duma geração que fazia tudo por amor mesmo (pastores, missionários, jovens, artistas ou não) e quanto mais desafios, melhor. Quando nos achávamos mesmo servos (inúteis, porém alegres), movidos em servir ao Senhor pela causa que abraçamos, constrangidos pelo amor de Deus por nós, ou pelo amor às pessoas que atingíamos com nosso ministério e com nossa música, ficávamos realizados.

Tempos em que tínhamos alegria de ter contato com o público o tempo todo e não éramos transformados em seres impessoais, não ficávamos reclusos por orientação dos “empresários” evangélicos (não existiam ainda), nos hotéis cinco estrelas ou spas logo após as “gloriosas apresentações”, diga-se de passagem, devidamente pagas com cachês astronômicos.

Quer ter contato com o artista ou pregador? Lamento, tente mandar um e-mail, entre no site dele, inscreva-se no seu “fã” clube, aguarde aquela noite de autógrafos quem sabe em sua cidade, e não se esqueça, ore por ele e compre seu material!!! Se o trouxermos para nossa cidade para um evento, provavelmente, você não chegará perto de tamanha “efeméride”, pois foi mitificado e se tornou objeto de adoração, alguns com segurança e tudo.

Estamos sempre tentando cultuar o “narciso” que existe dentro de nós, o nosso ego, até porque, ele teima em comandar nossos sonhos, aspirações, e intenções do coração. Esta é uma herança indiscutível de nossa natureza adâmica. Natureza que busca o reconhecimento de sermos considerados pequenos deuses, objetos de culto e admiração, sem noção de nossa finitude, do Deus Infinito a quem servimos, e da realidade do sucesso transitório e efêmero. Somente o Espírito Santo para dominar “este espírito”.

Pode parecer que não defendo o sustento digno de seus trabalhadores e dos artistas, que tem sido, diga-se de passagem, explorados pelas próprias gravadoras e igrejas ao longo dos anos ou que acho não ser possível mostrar a criação para os outros. Não é este o raciocínio ou intenção deste artigo.

Temos que honrar aqueles que tem procurado viver seriamente e honestamente da arte e da pregação. E para isto devemos ter critérios e maturidade. Tenho um amigo muito chegado, grande pregador, que disse que agora ele “só canta” e a mensagem vai “de lambuja”, para não ser humilhado após conferências e congressos vendo os artistas ganhando “polpudos cachês” e ele, que “somente” pregou, ganhar aquela oferta vergonhosa de se dar.

Mas temos que reconhecer, na “linguagem de hoje”, Jesus teria que espantar os vendilhões do templo, das sacadas do templo, do telhado do templo, das imediações do templo. A pergunta que não quer calar: como lidar para que não se instale e se cultive o Narciso em nossas vidas? Quais vacinas para repelir este “vigoroso” vírus do sucesso e autopromoção, que muitas vezes pode nos afastar do Deus que quer ser adorado e reconhecido? Vírus solto no meio dos que estão na adoração, arte ou mesmo ministérios.

Este é o retrato: qualquer um cria ministério ou monta uma igreja, qualquer um tem CD, publica livro, fita, do zelador ao tesoureiro da igreja, do bispo cantor ao segurança da igreja, da filha do diácono ao genro do coordenador da escola dominical. Somos transformados em produtos agora, deixamos de ser pessoas, agora aspirantes a adorados e reconhecidos, roubando muitas vezes o lugar Daquele que deveria ser adorado, admirado e cultuado. Conformando-nos facilmente com isto, amoldamos a nossa consciência e ética cristã de forma distorcida e justificamos tudo e a todos. Temos que resistir! Deus nos ajude!

25/08/2008

TV SOL MUSIC: MPB CROMBIE,ETERNIDADE!

TV SOL: CAIO FABIO.SOBRE MUSICA EVANGÉLICA

ELEJA AS VOZES QUE VOCÊ OUVE






Especialmente as vozes que se propõem a cuidar da sua alma, do seu espírito ou que ousam falar em nome de Deus e sobre a eternidade.

É impressionante como hoje, qualquer um se sente no direito e preparado para instruir sobre os mistérios que nem o próprio Deus os revelou em sua totalidade.

Cuidado, ouça, mas, avalie, pense, critique. Observe a vida dos que se arrogam este direito de palpitar sobre a sua alma, seu espírito e a eternidade, a sua eternidade. Observe se há sensatez, coerência, equilíbrio, entre a vida de quem diz e a palavra dita.
Digo isto porque hoje há um contingente enorme de pessoas se autoproclamando aptos para palpitar sobre a sua vida, sua alma, seu espírito.
Posso estar enganado e cético demais, mas, será que esses assuntos são tão simples assim?
Qualquer um agora esbarra em você uma única vez, nem sabe seu nome, e por conseqüência nada sabe de sua vida, e sai dizendo o que você deve fazer ou deixar de fazer sobre as questões do espírito, da alma, do céu, do inferno, da eternidade?

Até entendo que alguns acabam, por experiência, entendendo bastante sobre casamento, criação de filhos, negócios, política, meio ambiente e por ai vai; mas, daí a se entender capacitado para palpitar sobre as questões espirituais ou as complexidades de uma alma humana?
Não creio que seja assim.
Perdão, mas, hoje, são pouquíssimas as vozes que ouço e considero dignas de serem ouvidas, especialmente, no que tem a ver com as entranhas da minha existência.
Por conta disso, procuro ser muito reverente à medida que ouço as pessoas e elas me perguntam o que fazer.

Digo isto porque as pessoas não vivem sozinhas. Há todo um contexto de vida no seu em torno. Há uma história a ser considerada. Enfim, há tantos itens que compõem a existência que deveríamos todos ser mais zelosos, reverentes, cuidadosos ao ouvir e ao instruir.
Às vezes, acho que esquecemos que estamos lidando com pessoas que, aos olhos do Senhor, são TERRENOS SAGRADOS.
Às vezes esqueço que habita em mim o Espírito Santo de Deus.
Às vezes, sem nenhuma critica sensata, ouço uma voz e saio como se fosse A VOZ.
Aflige-me ver tanta gente boa de Deus sofrendo por conta destes descuidos e por conta da leviandade de tantos que palpitam nas vidas de tantas pessoas se autoproclamando autoridades espirituais.

Com quase 53 anos, são poucos os que reconheço como autoridade espiritual sobre a minha vida; e sou muito, mas muito mesmo, cuidadoso em exercer essa autoridade sobre alguém.

Afinal, tratar da alma, do espírito e sobre a eternidade de alguém deve requerer, no mínimo, alguma reverência, além de temor e tremor, pois é a vida de alguém que esta em jogo.

Que o Eterno, que colocou a eternidade dentro de cada um de nós, a nós todos nos ajude a saber discernir o que, e quem fala da parte Dele.

Que o Eterno nos ajude a desvendar alguns mistérios, ou nos ajude a conviver com mistérios, entendendo que não poucas vezes o mistério é um jeito de Deus nos preservar, pois certamente não suportaríamos saber de tudo o tempo todo.

Graça, paz e todo bem a você, sempre.



Beijo!



Carlos Bregantim

REVERENDÍSSIMO APÓSTOLO ATEU: Desgraça e ranger de dentes!



Texto do Rev.Caio Fabio

Você ouve o Evangelho de Jesus e se apaixona.
Assenta-se para ouvir.
Começa a ler.
Fascina-se com as promessas de resposta às orações.
Vê crescer em você uma imensa expectativa de ouvir a Voz e saber a Vontade Dele.
Alegra-se ao ver que Deus fala, que a Palavra é viva, e, também, que orações são de fato respondidas.
Mas...

Então você começa a desejar crescer em Deus, mas, ao mesmo tempo, como todos os que você admira são pastores, evangelistas, líderes, missionários, cantores, etc. — surge em você a idéia de que crescimento somente acontece nas fronteiras do ministério e no convívio com a liderança.

Assim, o eixo da emoção da fé começa a mudar, e, devagar, a pessoa vai ficando cada vez mais desejosa de parecer-se com os que aparecem, e faz isso sem culpa, pois, de fato e sinceramente, a única coisa que a pessoa quer é fazer uma assimilação daquilo que ela, agora, entende como sendo o caminho visível e imitável da piedade.

Nesse ponto inicia-se o processo de esquizofrenização do ser devotado a crescer em Deus nos bastidores da suposta organização de Deus entre os homens: a igreja.

Então, devagar, você vai vendo que os seus “homens de Deus” são levianos, mentem, são egoístas, avarentos, cobiçosos por sórdida ganância, odiosos, invejosos, hipócritas, e, muitas vezes, até mafiosos, sendo que, em tal caso, a associação menos danosa de alguns é com a maçonaria.

Ora, gradualmente, depois de ter odiado por um tempo as coisas que veio a saber, você persiste no mesmo convívio; e, então, começa a se sentir melhor do que as outras pessoas do clube da maldade; e, por isso, o próximo passo será que você diga a si mesmo que tem crédito de coerência na vida, a fim de "pedir umas férias a Deus", e, assim, dedicar-se, pelo menos como hobby, a algum pecado ou surto de capricho.

Quando você faz isto, sente o que Adão sentiu no Éden, e, assim, vendo-se nu, cobre-se, e, por causa disso, busca cobrir-se com as vestes convencionais, a saber: mentira, hipocrisia, performance, falsa humildade...

Entretanto, mais que tudo, a tendência é que você se torne misericordioso com o pecado, embora não necessariamente com o pecador que não seja você.

Entretanto, aqui também pode surgir outro filho do povo do engano, que é aquele que, justamente porque já se sabe agora membro do clube dos que ele antes repudiava, decide agora disfarçar-se de hostil e acusador daquilo que ele mesmo, às ocultas, pratica; pois, assim, pela denúncia do tema, ganha um forte e poderoso álibi para os outros; embora ele mesmo cristalize-se na hipocrisia.

Ora, como neste ponto Deus está no exílio da vida da gente, o que fica é o poder das networks. E, também, muita dedicação à imagem pública, à comunicação e à autoproteção; enquanto você vai vivendo da máquina que à sua volta foi montada.

Então, quanto mais tudo funciona, mais distante de Deus você fica, e sem notar.

E mais: você começa a dizer para você mesmo que aquela vida com Deus de antes era coisa de criança, mas que agora, depois de ver como as coisas são, ainda assim você faz a Deus o favor de pregar o evangelho. E como você pensa que é isso que Deus quer (que se pregue o Evangelho, ou qualquer coisa que cite o nome "Jesus"), você julga que o crédito é seu justamente por você fazer o que Deus quer que se faça, mas que sem você Ele não faz ou faria. Desse modo, por razão de seu auto-engano, você começa a tornar-se a medida de todas as coisas para você mesmo, sem perceber que você está monstrificado, e isto enquanto é endeusado pelos pagãos que, de tão cegos, só enxergam as purpurinas das glórias de cultos de fumaça de gelo seco e de levitas angelicalmente erotizados, que se exibem meigamente como ninfos e ninfetas de um culto pagão estranhamente oferecido em nome de Jesus, e, em cujo espetáculo você seduz Deus para que lhe faça mais concessões, pois você prega; e, segundo você aprendeu, Deus tem delirium tremens quando ninguém prega o nome Dele no mundo.

Se você não sabia, saiba agora: Foi assim que você chegou até aqui onde agora, gloriosamente, se jacta de estar.

E você passa a ser parte de tudo isso, e se justifica dizendo que seria pior sem a sua presença, pois você já não é como era antes, mas, pergunta você: "Quem é?" — e responde: "Eu pelo menos sei o que não é, e, estou aqui apenas para ver se mudo alguma coisa".

Então, você prega em meio às piores contradições e sentimentos interiores, e as coisas acontecem, e isso faz com que você diga: "Deus é bom, pois, mesmo assim, cheio das concessões, Ele ainda me abençoa!"

Ora, neste dia, o antes singelo e alegre jovem crente entra no Templo dos Lobos vestidos de Ovelhas, e, sem propaganda, adere à maçonaria das ações secretas praticadas pelos membros do clube do sucesso ministerial.

Daí em diante ele é ateu e não sabe. Afinal, ele já é tal ateu que o nome de Deus é falado por ele sem que ele sequer perceba. Deus é oco e mais leve que o nada no coração desse um dia crente, mas que hoje é líder de crentes exatamente por já não crer em mais nada.

O casamento arruinado pela hipocrisia e a insinceridade. Então, com tanto assédio, esse ser um dia crente diz para si mesmo: "Sofro tanto. Está na hora de ser consolado por alguma irmã".

E assim ele vai... Até que tem um harém.

O mesmo acontece com o dinheiro. Ele pensa: "Sem mim nada entraria aqui. Então, eu é que dou a eles e não eles a mim. É meu!"

Chega a hora em que você se levanta para pregar e o diabo senta para descansar; isto porque o diabo pensa: "Ele é meu orgulho! Representa-me muito bem. Com lobinhos assim eu poderia tirar férias!"

Então você prossegue. Vira bispo, apóstolo, primaz, pai-póstolo, Reverendíssimo Augustus, um César da Religião.

Cheio de altivez, de empáfia, de arroto.

Viram pastores de si mesmos, e, existem para o banquetear-se.

Quem não faz a viagem por essa vertente, em geral, ao passar pelos desapontamentos, se havia sido “ungido” e não pode mais voltar atrás, o que daí nasce é muita amargura e ressentimento em razão de que os que apareceram não foram eles, mas sim os “piores”. E ficam com raiva de Deus, e isto apenas por jamais terem tido a visão certa da vocação, que não é para o que é elevado entre os homens enquanto é abominável diante de Deus, mas para o oposto.

Esses que não viraram lobos vestidos se ovelhas tornaram-se ovelhinhas vestidas de coelhinhos ou de Barbies. Ou então se tornam poetas e menestréis da perplexidade humana, embora de Deus sintam, quando sentem, apenas saudades.

Não faça essa viagem. Ninguém escapa impune por andar nas trilhas desse enganado caminho.

O chamado à conversão em tais casos é um só:

Arrepende-te! Volta ao teu primeiro amor!

Enquanto é tempo!

22/08/2008

TV SOL: GERSON BORGES

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DEUS NÃO EXISTE NO CAOS!










Texto de Heuring Felix Motta


sei que um cão é feroz porque conheço o feedback que ele me daria caso eu me aproximasse dele fundado na hipótese de que não o é...Olavo de Carvalho



A grande questão do pensamento moderno é justificar seu ateísmo, algo que dar respostas,ação e reação,beliscou doeu, mexeu no cachorro levou uma mordida,daí a resposta concreta para que o homem não se perca e não fique sem suas indagações,pois ele pode se tornar louco, procurando aquilo que não lhe responde, para os ateístas modernos, o homem tende a ficar louco por acreditar em Deus já que não há uma reciprocidade,o homem procura, mais Deus é mudo,daí ele passa a ser mais a imaginação,delírios de uma alienação que herdamos da imposição religiosa que imperou durante séculos.

Seria delírio sentir amor? seria delírio sentir alegria?seria delírio tristeza? seria delírio a própria afirmação ateísta?tudo que vemos e sentimos são delírios?Na realidade a fé responde, ela é o fundamento de todas as coisas, e se faz bem, prossiga,aquilo que nos faz bem nos torna melhores e capazes de entender toda esta tentativa de medo humano de matar de vez a idéia de Deus, por que através da observação percebemos como é impossível não acreditar em Deus,a forma como tudo é matematicamente e fisicamente fundamentado,espaço,ordem planetária,atmosfera, quimicamente e biologicamente toda vida em cadeia sendo impulsionada por si mesma, impossível não ser Deus,possivel para a mente pequena do ser!

Há uma força inteligente, não importa as convenções e nominações humanas para explicar os eventos fenomenais, a razão não quer aceitar, mas ela reflete sobre isso e se questiona, ela não consegue encerrar,por que não pode explicar o que é abstrato,mas sabe que existe,’’ a fé é a certeza de cousas que se esperam,a convicção que se não vêem (hb.11:1 )‘’.

Deus está ai,nos mostrando como ser felizes com nosso mundo,a natureza,os pássaros,a celebração da vida,da família,da união dos povos,raças,Deus simplesmente está em tudo isso,mas estamos na contra-mão ,estamos poluindo nosso planeta,destruindo as espécies só para aumentar o espaço geográfico,violência e guerra por todos os cantos,corrupção e descaso do poder público,isso sim,é a verdadeira negação de Deus,ação e reação,Deus deixa de existir nisso,pois ele não habita no caos,Deus habita na ordem,Deus é um jardineiro .O homem tenta a ordem mas acaba gerando o caos.

21/08/2008

SOMOS AQUILO QUE NÃO SOMOS!






Texto de Heuring Felix Motta

‘’ A seguir Jesus foi levado ao deserto para ser tentado pelo diabo...Mat.4:1’’

Estava conversando com minha amada Ana Christina, pele net, ela me dizia que eu fiz com que ela queimasse o bolo que ela estava preparando, devido nosso bate-papo,eu disse que desse bolo queimado eu não comeria,ela foi logo dizendo que tinha colocado uma cobertura que encobriria as imperfeições do bolo,RS,esse bolo disse muito para mim naquele exato momento,eu pensei nas minha imperfeições e de como somos enganadores de nós mesmo!

Antes de ir ao deserto Jesus de Nazaré tinha participado de um evento alegre com João Batista, seu batismo,momento feliz,momento de paz e harmonia,momento em que João reconheceu o filho de Deus,mas diz a palavra que o espírito de Deus o incomodou para que ele fosse ao deserto, e ele foi,Lutar,se conhecer,buscar sentido,força,sabedoria e entendimento de tudo que estava ao seu redor e dentro de si,ele precisava fazer isso para seguir,para descobrir sua natureza humana que tão frágil era, mesmo ele sendo Deus encarnado, e todas as sua duvidas,angustias e tentações foram vencidas ali no deserto,espirituais e materiais ,dali ele saiu pronto para seu destino,traçado antes de tudo que existe,antes da fundação do mundo,dos próntos e elétrons e átomos e buracos negros .Do deserto ,Jesus foi levar o peso da humanidade sobre seus ombros e mostrou aquilo que ele realmente é,Deus de fato,de dentro para fora.

Jesus encontrou na sociedade Judaica uma estrutura arcaica defasada e de aparência, o culto de não ser realmente o que é, era pregado pelos farizeus que não suportavam o julgo da lei mas sabiam maquiar muito bem suas maldades e seus erros, de fora para dentro,tudo pelo poder e pelo controle da população. O Cristo veio para mudar toda a tradição, veio para dar amor e fazer compreender-se por esse amor,contagiando as pessoas pelo seu olhar de luz,pelo seu entendimento,por seus milagres de restaurações de vidas,dando sentido aqueles que estavam excluídos pela sociedade,pregando que você pode beber algo que nunca mais teria sede,água do amor,água da verdadeira sabedoria,não importando o que você é fora,mas preocupado com o que você é dentro.

Infelizmente o cristianismo tomou rumos inimagináveis,se tornou o império das vaidades,do poder quando o caminho era a humildade, da violência, quando era paz entre todos os povos,da manipulação, quando na verdade era a liberdade,da ignorância, pelo entendimento iluminado,da linda aparência ,pela força verdadeira de ser você mesmo,do domínio religioso a qualquer custo mesmo que fosse através de perdas e sacrifícios de inocentes, foi assim a chamada idade média e o caminho do cristianismo que se prostituía cada vez mais com o paganismo Romano ,pelo imperador Constantino e sua mãe, o que veio depois foi o crescimento da maldade e do desvirtuamento de tudo que o Cristo queria,sendo que a reforma protestante ainda iria seguir com a forma mais adequada de manipular,com ideais mais nobres mais não menos diferente de tudo que se passou pela idade média.

O que temos hoje é um amontoados de cabeças loucas que vivem procurando cada vez mais templos grandiosos, pastores que ostentam poderes espirituais,que podem trazer soluções para sua falsa vida,pastores que se intitulam bispos e apóstolos,com escudos que defendem a ‘’moral e a ética cristã’’,quando na verdade estão manipulando o povo e pegando dinheiro desta moçada toda que está ai a procura de sentido de vida,vivem mais pela aparência de ‘’ser ‘’ do que de fato deveria ser aquilo que está dentro de si,é disso que Jesus pregava,reino presente e que começava das profundezas da consciência verdadeira e pura da humanidade,preferimos a mentira do que a verdade, por que é muito mais fácil mentir,ser o que não é,é doce e não amargo,a verdade é obrigada a ficar escondida e ai os falsos reinam nas mentes das pessoas ,com suas promessas circenses a respeito de Deus. O ser humano passa a ser objeto de negócios e números, quanto mais membros na igreja mais o poder de barganhar e comercializar Deus,enquanto pessoas vivem acomodadas em suas posturas de mudanças de caráter,o que vemos é a total falta de orientação,por que também não é interessante a verdade,pode arruinar os negócios obscuros da liderança do ‘’evangeliquês’’ pregado por essa estirpe de pastores.O que vemos é aquilo que é em aparência, mas não diz o que de fato é,precisamos ir ao deserto urgentemente e redescobrir quem somos de fato, pois a igreja de hoje reflete bem o pensamento de William Shakespeare:

‘’Sinto algo de podre no Reino da Dinamarca’’

Modelo de igrejas!






Pequeno Texto do bispo Robson Cavalcanti

Pessoalmente, cremos ser meio sem sentido a discussão denominacional sobre o 'modelo correto' de organização eclesiástica. Nos primeiros séculos tivemos uma variedade de modelos. Hoje os modelos devem ser contextualizados em cada cultura a fim de melhor servir à causa do Evangelho. O livro de Atos não traz cópia de estatuto-modelo. Viver a igreja bíblica é viver sua realidade espiritual e não uma pretensa ortodoxia burocrático-administrativa. Mesmo assim é válido ressaltar a tendência democrática da organização interna da Igreja Primitiva, com o Senhor manifestando Sua vontade por meio do consenso dos fiéis."

Um cadáver para Animais Selvagens




Texto do Teologo e Historiador:John Dominic Crossan



Um pouco de história





Em junho de 1968, o único esqueleto crucificado descoberto foi encontrado em Giv’at ha-Mivtar, no nordeste de Jerusalém, a oeste da estrada Nablus, um túmulo que datava do primeiro século da era comum [depois de Cristo]. Havia quatro túmulos no total, escavados como pequenos quartos no calcário macio, cada um com uma ante-sala e depois uma câmara funerária com nichos suficientemente profundos para acomodar um corpo humano enterrado ao comprido. Esses túmulos foram usados repetidas vezes ao longo de gerações; os ossos, depois da decomposição da carne dentro dos nichos eram enterrados juntos em poços cavados no chão ou, numa alternativa muito mais dispendiosa, eram reunidos em ossuários – caixas de ossos em calcário. Os nichos eram então reutilizados para enterros mais recentes. No complexo de Giv’at há-Mivtar havia quinze desses ossuários, a maioria cheios até em cima e contendo os ossos de 35 pessoas – onze homens, doze mulheres e doze crianças. Desses 35, uma mulher e seu filho morreram juntos no parto por falta de ajuda de parteira; três crianças, uma de seis a oito meses, uma de três a quatro anos, e outra de sete a oito anos, morreram de fome; e cinco pessoas tiveram morte violenta: uma mulher e um homem por queimadura, uma mulher por um golpe de algo como uma maça, uma criança de três para quatro anos por um ferimento de flecha , e um homem entre 24 e 28 anos com 1,65m de altura, morreu por crucificação. Seu nome, inscrito no ossuário, era então Yehochanan, mas agora é I/4A: Túmulo 1, Ossuário 4 (de oito nesse túmulo), Esqueleto A (de três nesse ossuário, ... e o filho de Yehochanan, outra criança de três para quatro anos).

Depois de avaliação e reavaliação por estudiosos do Departamento de Antiguidades de Israel e da Escola de Medicina Hadassah da Universidade Hebraica de Jerusalém, ficou claro o modo de crucificação [desta pessoa]. Seu braços não foram pregados, mas amarrados na travessa da cruz provavelmente com os braços até os cotovelos por cima e atrás dela. Suas pernas foram colocadas de ambos os lados da barra vertical, com pregos segurando os calcanhares na madeira de cada lado. Uma pequena placa de oliveira fora posta a cabeça do prego e o calcanhar para que o homem condenado conseguisse manter o pé afastado do prego. Mas o prego no calcanhar direito atingira um nó na madeira e se curvara, de modo que quando o homem foi retirado, o prego, o pedaço de madeira de oliveira e o osso do calcanhar permaneceram juntos no sepultamento e na descoberta. Por fim, não havia evidência de que as pernas do homem tivessem sido quebradas de pois da crucificação para apressar sua morte por asfixia mais imediata.

Mas por que, com todos estes milhares de pessoas crucificadas em torno de Jerusalém só no primeiro século, encontramos apenas um único esqueleto, naturalmente, preservado em um ossuário? Mencionei anteriormente, por exemplo, que o governador Sírio, Público Quintílio Varo, precisou de três legiões e tropas auxiliares para esmagar revoltas na terra judaica, ... Quando ele chegou em Jerusalém, crucificou, segundo o duplo relato de Josefo ... “dois mil” rebeldes. As crucificações em massa também marcaram o começo e o fim da Primeira Guerra Romano-Judaica. No início do verão de 66 E.C., Floro, então governador romano da terra judaica, ordenou a suas tropas que atacassem dentro da cidade ... [segundo o historiador Flávio Josefo]:

Muitos cidadãos pacíficos foram detidos e levados diante de Floro, que primeiro mandou que fossem açoitados e depois crucificados. O número total de vítimas nesse dia, incluindo mulheres e crianças, ... chegava a cerca de três mil e seiscentos. ... Pois Floro se aventurou nesse dia a fazer o que ninguém havia nem sequer tentado antes, isto é, açoitar diante do seu tribunal e pregar na cruz homens do nível de cavaleiros, homens que, se judeus de nascimento, foram pelo menos investidos com esta dignidade romana.

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A Fé dos Humanistas




Francis Schaeffer (1912-1984), um dos mais reconhecidos e respeitados autores Cristãos do século vinte


Duas Colunas

Duas colunas distinguiam a Igreja cristã primitiva de qualquer outro sistema religioso. A primeira dizia respeito ao fundamental problema da autoridade. Em tal Igreja só existia uma autoridade final: a Bíblia, a Sagrada Escritura. Isto se depreende claramente dos ensinamentos de Jesus, de Paulo e da totalidade do Novo Testamento. Entre os leitores do presente tratado, muitos crerão que a Igreja primitiva estava certa em sustentar este conceito da Escritura; porém, até mesmo aqueles que não o aceitam, deveriam compreender que tal foi o conceito da Igreja, para assim entender intelectualmente a mesma.

Os primeiros cristãos criam que a Sagrada Escritura lhes dava uma autoridade externa ao âmbito do relativista, mutável e limitado pensamento humano. Assim, com esta visão da Palavra, tinham o que consideravam uma autoridade não humanista.

A outra coluna da Igreja primitiva que a diferenciava de todos os demais sistemas religiosos era sua resposta à pergunta: Como se achegar a Deus? Se Deus existe e é santo, perfeitamente santo, vivemos num universo moral. Se Deus não existe ou se é amoral ou imperfeito, vivemos, conseqüentemente, num universo relativo com relação à moral. Por outro lado, se Deus é perfeito, e mantém sua total perfeição, então, como é óbvio que nenhum homem é moralmente perfeito, todos eles estarão condenados. A única coisa que poderia resolver este dilema, verdadeiramente básico, acerca de se o universo é moral ou amoral, seria o ensinamento da Bíblia e da Igreja primitiva. Tal ensinamento foi que Deus nunca diminuiu o nível de Suas normas, que Ele exige perfeição e que, portanto, Ele é completamente moral; e que, porém, por causa do amor de Deus, veio Jesus Cristo como Salvador, e realizou uma obra infinita e definitiva na cruz, de maneira que o homem já pode se achegar ao Deus totalmente santo e perfeito, apoiado nesta obra perfeita e consumada, pela fé e sem obras humanas relativas. Estamos tão acostumados a falar disto dentro de um contexto religioso, que esquecemos das implicações intelectuais. Diremos de novo que, tanto se se crê no que a Igreja primitiva e a Bíblia ensinaram, como se não se crê, deve-se entender este ponto que estamos tratando, ou não se poderá compreender a tal Igreja, nem seu caráter distintivo.

Uma vez que se ensina a exigência por parte de Deus de perfeição total, se mantém a existência de um universo moral; e ao se ensinar a obra perfeita do Salvador, segue-se que não necessariamente todos os homens sejam condenados. Assim, qualquer elemento humanista e egoísta é destruído. Até mesmo se o cristianismo não fosse verdade, e nós cremos que ele o seja, esta seria uma resposta titânica; jamais nenhum outro sistema - seja religioso, seja filosófico - deu semelhante resposta.

Assim, pois, as duas colunas distintivas da Igreja primitiva eram um golpe combinado e completo contra o humanismo. A autoridade ficava fora da mutável jurisdição humana e assim, o acesso pessoal de cada indivíduo ao Deus eternamente santo se baseava, não nos atos morais ou religiosos relativos do homem, mas na absoluta e definitiva obra (e por ser Ele Deus, infinita) de Jesus Cristo. Tudo isto fazia que o homem fosse arrancado do centro do universo, donde havia intentado situar a si mesmo, quando se rebelou contra Deus na histórica queda no Éden, e destruía o humanismo, atacando-lhe no seu próprio coração.


Nada novo


A Reforma não reconheceu nem ensinou nada novo. Isto é, nada novo em referência ao ensinamento da Igreja primitiva. A Reforma voltou simplesmente às duas colunas básicas a que nos referimos mais acima. A Palavra de Deus era a única autoridade, e a salvação tinha como base única a obra definitiva do Senhor Jesus Cristo, consumada na cruz. Tudo isso significava a remoção dos elementos humanistas. A Reforma foi revolucionária porque se apartou tanto do humanismo católico-romano, como do secular.
Para entender o que sucedeu depois, deve-se ter em conta que, há uns 250 anos atrás, o humanismo tinha se introduzido na Alemanha, e desta vez nas igrejas que haviam surgido da própria Reforma. Isto foi o nascimento do que na atualidade se chama usualmente liberalismo ou modernismo protestante. A alta crítica alemã e tudo quanto brotou dela até nossa geração, é simplesmente a entrada do pensamento humanista na Igreja protestante depois da Reforma, exatamente como, desde a época de Constantino em diante, o humanismo entrou na corrente da Igreja primitiva. Nunca se enfatizará suficientemente que a alta crítica não sobreveio porque certos fatos a fizeram necessária, mas porque a filosofia humanista sobreveio primeiro. Aceitou-se em primeiro lugar a filosofia humanista, e logo foram adicionados "fatos" que pareciam poder prover uma base conforme a perspectiva humanista. A alta crítica não foi a causa, mas o resultado. Os teólogos protestantes de tal época permitiram a entrada do conceito humanista na Igreja protestante. As duas colunas básicas não humanistas da Igreja foram destruídas de novo. O que devemos entender agora é que, na nossa própria geração, tanto o humanismo do sistema católico-romano como o do protestantismo liberal não diminui, mas que é cada vez mais forte em ambos.

Talvez a maior revolução

Talvez a maior revolução de nossa geração seja a mudança acontecida no catolicismo romano. Alguns podem dizer que na realidade não houve mudança, e que tudo isso é somente um estratagema; porém, seria difícil estar completamente seguro de se efetivamente é esse o caso. O aumento do humanismo na Igreja Católica Romana, em nossa geração, se mostra nos dois âmbitos.
Em primeiro lugar, é um fato que até mui poucos anos atrás Roma havia insistido que os três primeiros capítulos de Gênesis deveriam ser interpretados literalmente. Hoje em dia, quando os científicos católico-romanos se reúnem com os seculares, isto é deixado de lado. Estes homens da ciência romano-católicos não são seculares, mas membros das diversas ordens religiosas. Afirmam-se, nos círculos católico-romanos liberais atuais, que tudo o que devemos aprender dos três primeiros capítulos do Gênesis é que, no processo evolutivo de animal a homem, a única coisa que se necessitou é que Deus introduzisse em certo momento uma alma racional. Isto é totalmente revolucionário em relação ao que Roma havia ensinado ainda em nossa própria geração, e significa um fortalecimento definido do humanismo.
Em segundo lugar, Roma mudou radicalmente na questão de quem se salva. No passado, o catolicismo romano ensinava, como todavia o faz na Espanha ou no Sul da Itália, por exemplo, que não havia salvação possível fora da Igreja Católica Romana. Hoje em dia, a ênfase recai em que todos os homens sinceros, e de boa vontade, são salvos. Na Igreja primitiva e na Reforma se enfatizou o ensinamento bíblico de que quem não estivesse na Igreja de Cristo (quem não tivesse tomado a Jesus Cristo como Salvador) estaria condenado. Segundo o antigo sistema católico-romano aqueles que permaneciam fora da organização da Igreja Católica Romana estavam perdidos. Em ambos os casos, nos encontramos com o fato de que havia alguém que estaria perdido. No novo ensinamento católico-romano, com seu acrescentado humanismo, é muito difícil saber quem está perdido; e com respeito aos círculos católico-romanos mais pronunciadamente liberais, não se pode estar seguro se alguém se perde.
Assim, nos achamos ante o velho humanismo, que começou na época de Constantino, da Igreja Católica Romana, porém aumentado agora com o humanismo do moderno catolicismo-romano. Deve-se notar, por conseguinte, que o novo conceito liberal católico-romano não constitui um rompimento absoluto com o antigo catolicismo romano, já que este mesmo tem sido sempre humanista. Constitui simplesmente uma confluência das diversas correntes de um mesmo canal. Deve-se notar, também, que um homem como Teilhard de Chardin, tão popular na Europa e América, corresponde exatamente a esta circunstância.

NO CAMINHO DA GRAÇA!



Texto do Pastor Carlos Bragantim

No Caminho da Graça, todos descobrimos e reconhecemos que o lugar mais seguro para se estar no universo é, debaixo da Cruz de Cristo. Somos encorajados a correr para este lugar, todo tempo e o tempo todo e ali, aos pés da Cruz, vamos nos transformando até que todos cheguemos a estatura da plenitude de Cristo, nos parecendo cada vez mais com Ele que é o propósito final de Deus em nós

No Caminho da Graça, temos nos encontrado, reencontrado e reconhecido a presença de Deus para alem dos esteriótipos religiosos, padrões religiosos, tradições religiosas. Temos descoberto que Deus não é propriedade exclusiva de nenhuma religião, pois Ele é livre e absolutamente soberano.

No Caminho da Graça, somos encorajados a ouvir o próprio coração, ouvir a si mesmo, ouvir o outro e neste exercício de escuta, quem sabe, ESCUTAR O PROPRIO DEUS. Sim, no Caminho da Graça há ESPAÇOS PARA ESCUTAR.

No Caminho da Graça, até um desencontro pode se tornar um encontro, a medida que os desencontrados se encontrem e são encontrados e juntos celebram o encontro na Graça com alegria, liberdade, sensibilidade e compromisso.

No Caminho da Graça, todos nos encontramos uns com os outros e com Deus, com sua Graça, pois, Ele em Cristo disse: “ onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome ali estarei” portanto, juntos celebramos sua presença e afirmamos que nEle, Jesus de Nazaré, Deus se reconciliou com a humanidade e a todos perdoou e todos são convidados a participar desta mesa, a mesa da Gr

Sobre a morte e o morrer!




Texto de Ruben Alves

O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de
um ser humano? O que e quem a define?


Já tive medo da morte. Hoje não tenho mais. O que sinto é uma enorme tristeza. Concordo com Mário Quintana: "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver." A vida é tão boa! Não quero ir embora...

Eram 6h. Minha filha me acordou. Ela tinha três anos. Fez-me então a pergunta que eu nunca imaginara: "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?". Emudeci. Não sabia o que dizer. Ela entendeu e veio em meu socorro: "Não chore, que eu vou te abraçar..." Ela, menina de três anos, sabia que a morte é onde mora a saudade.

Cecília Meireles sentia algo parecido: "E eu fico a imaginar se depois de muito navegar a algum lugar enfim se chega... O que será, talvez, até mais triste. Nem barcas, nem gaivotas. Apenas sobre humanas companhias... Com que tristeza o horizonte avisto, aproximado e sem recurso. Que pena a vida ser só isto...”

Da. Clara era uma velhinha de 95 anos, lá em Minas. Vivia uma religiosidade mansa, sem culpas ou medos. Na cama, cega, a filha lhe lia a Bíblia. De repente, ela fez um gesto, interrompendo a leitura. O que ela tinha a dizer era infinitamente mais importante. "Minha filha, sei que minha hora está chegando... Mas, que pena! A vida é tão boa...”

Mas tenho muito medo do morrer. O morrer pode vir acompanhado de dores, humilhações, aparelhos e tubos enfiados no meu corpo, contra a minha vontade, sem que eu nada possa fazer, porque já não sou mais dono de mim mesmo; solidão, ninguém tem coragem ou palavras para, de mãos dadas comigo, falar sobre a minha morte, medo de que a passagem seja demorada. Bom seria se, depois de anunciada, ela acontecesse de forma mansa e sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, em meio a visões de beleza.

Mas a medicina não entende. Um amigo contou-me dos últimos dias do seu pai, já bem velho. As dores eram terríveis. Era-lhe insuportável a visão do sofrimento do pai. Dirigiu-se, então, ao médico: "O senhor não poderia aumentar a dose dos analgésicos, para que meu pai não sofra?". O médico olhou-o com olhar severo e disse: "O senhor está sugerindo que eu pratique a eutanásia?".

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova está nascendo. Mas há dores que não fazem sentido nenhum. Seu velho pai morreu sofrendo uma dor inútil. Qual foi o ganho humano? Que eu saiba, apenas a consciência apaziguada do médico, que dormiu em paz por haver feito aquilo que o costume mandava; costume a que freqüentemente se dá o nome de ética.

Um outro velhinho querido, 92 anos, cego, surdo, todos os esfíncteres sem controle, numa cama -de repente um acontecimento feliz! O coração parou. Ah, com certeza fora o seu anjo da guarda, que assim punha um fim à sua miséria! Mas o médico, movido pelos automatismos costumeiros, apressou-se a cumprir seu dever: debruçou-se sobre o velhinho e o fez respirar de novo. Sofreu inutilmente por mais dois dias antes de tocar de novo o acorde final.

Dir-me-ão que é dever dos médicos fazer todo o possível para que a vida continue. Eu também, da minha forma, luto pela vida. A literatura tem o poder de ressuscitar os mortos. Aprendi com Albert Schweitzer que a "reverência pela vida" é o supremo princípio ético do amor. Mas o que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Muitos dos chamados "recursos heróicos" para manter vivo um paciente são, do meu ponto de vista, uma violência ao princípio da "reverência pela vida". Porque, se os médicos dessem ouvidos ao pedido que a vida está fazendo, eles a ouviriam dizer: "Liberta-me".

Comovi-me com o drama do jovem francês Vincent Humbert, de 22 anos, há três anos cego, surdo, mudo, tetraplégico, vítima de um acidente automobilístico. Comunicava-se por meio do único dedo que podia movimentar. E foi assim que escreveu um livro em que dizia: "Morri em 24 de setembro de 2000. Desde aquele dia, eu não vivo. Fazem-me viver. Para quem, para que, eu não sei...". Implorava que lhe dessem o direito de morrer. Como as autoridades, movidas pelo costume e pelas leis, se recusassem, sua mãe realizou seu desejo. A morte o libertou do sofrimento.

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.

20/08/2008


NÃO ENTRO MAIS EM IGREJA!




TEXTO:Caio Fabio
Condicionamento relacionado à culpa é coisa muito séria e persistente.
Lembro do tempo em que deixei de ser “pastor local”, passando a dedicar-me exclusivamente ao “ministério itinerante”, quando, como nunca antes, senti a culpa de não ir “à igreja” no domingo cedo, na Escola Dominical.
Ora, não se tratava de um desconforto para o qual eu não tivesse uma resposta consciente e bíblica, porém, a alma condicionada, não reconhece nem mesmo as verdades da Palavra.
Assim, eu pregava a semana toda, no mínimo duas vezes por dia, mas, aos domingos de manha, eu queria descansar, já que à noite eu pregaria mesmo, de qualquer maneira.
Aí, porém, morava o problema; posto que ficasse sempre aquele sentimento de culpa, como se minha ausência do lugar fosse emocionalmente semelhante a ter se distanciado de Deus.
Prova disso está no simples fato de as pessoas se referirem à freqüência às reuniões como “ir à igreja”.
Há mesmo os que dizem que “não entram numa igreja” há muitos anos; embora eles mesmos não se sintam mais longe de Deus.
“Teologicamente”, todos os que estão em Deus estão na Igreja, embora, muitas vezes, não estejam em “igreja” alguma.
Entretanto, a designação da experiência com a igreja como sendo algo que caiba no movimento de ir ou não ir, já demonstra o dado psicológico de que a igreja é, para muita gente, um lugar; e, portanto, quando se associa tal realidade a Deus, não ir à igreja é, no inicio, como não ir a Deus, ou como estar fora de Deus.
Há o mandamento bíblico [Hebreus 13] no sentido de que não se deixe de congregar, como é costume de alguns.
Ora, isto é dito em Hebreus no mesmo contexto em que se denuncia a presença ritualística aos cultos, escravizando-se a alma aos padrões antigos, infantis e pagãos.
Portanto, não se diz que não ir seja um problema, mas sim se diz que o deixar de viver a vontade de encontro com os irmãos, é algo que pode dês-aquecer a alma e tirar a alegria e a exultação horizontal da pratica da fé.
Quando eu sou igreja [e assim entenda!], mesmo quando não vou aos encontros, sou; e isto jamais muda em mim.
Porém, quando a minha alma se desconecta do compromisso histórico da fé [que é sempre horizontal, e, portanto, com os irmãos], a primeira coisa que acontece é que se faz da não ida algo mais sério do que de fato seja; e, em tal caso, torna-se algo sério, não por não se ir ao ajuntamento, mas sim em razão de que não se vai por se julgar existir uma briga entre nós e Deus.
E mais:
Muitas vezes não se acha uma comunhão espiritual que justifique a saída de casa.
Ora, em tal caso não se deve ir mesmo a lugar algum aonde se vá apenas para que se cumpra um rito mágico ou um dever devocional, pois, não tem sentido ou mesmo valor algum.
Durante uns dois anos, entre 1984 e 1986, senti muito culpa quando os filhos iam aos domingos de manhã à Escola Dominical e eu ficava em casa cuidando do jardim e descansando.
Parecia que eu estava negando a fé; e, por mais eu me dissesse que não era assim, no entanto, dado aos anos de pratica pastoral, indo aos cultos pregar e ensinar todos os domingos, o sentimento se manifestava mesmo contra os meus argumentos.
Ora, é neste ponto que se percebe o quanto se está religioso.
E mais:
Sempre que tal culpa bate no coração não havendo razão para tal, é prova de nossa religiosidade.
Não devemos deixar de nos congregar; ao mesmo tempo em que congregar-se jamais deve ser algo movido pela culpa ou pela irrazoabilidade das neuroses religiosas.
Assim, se você não encontra mais onde se sinta bem para cultuar comunitariamente, ao invés de “se afastar de Deus” pela culpa da não freqüência, ame ainda muito mais a Deus e aos homens; e, desse modo, busque, sem neurose, uma boa oportunidade de encontrar os irmãos-amigos; ou, então, de iniciar uma comunhão simples com irmãos e irmãs amados e singelos no crer.